
O governo do Piauí, sob a liderança do petista Rafael Fonteles, tem chamado atenção pelo crescente volume de empréstimos bilionários. Essa prática vem se acumulando sobre um Estado já comprometido financeiramente após quatro gestões consecutivas de Wellington Dias, também movidas a operações financeiras. A questão que se impõe é: até que ponto esse endividamento é justificável?
A administração atual, que bate recordes de arrecadação tributária (a estimativa para 2024 é de R$ 20 bilhões), parece insaciável por recursos. Tributos foram criados, impostos ressuscitados e a máquina fiscal se tornou mais azeitada e eficiente do que nunca. No entanto, o apetite por novos empréstimos levanta dúvidas sobre o destino de tanto dinheiro.
Se o governo celebra parcerias com ministérios, anuncia transferências constitucionais volumosas e garante arrecadação recorde, por que precisa recorrer tanto a mais financiamentos? Essa é a pergunta que ecoa entre contribuintes e analistas financeiros. Até o momento, nem o secretário de Fazenda nem o governador apresentaram explicações detalhadas e plausíveis sobre o uso e a aplicação desses recursos.
Confira os empréstimos contraído apenas em 2024:
Empréstimo com o Banco Mundial: Em 28 de fevereiro passado, Rafael Fonteles assinou um contrato de US$ 50 milhões (R$ 270 milhões) com contrapartida de US$ 12,5 milhões do Estado, totalizando US$ 62,5 milhões (R$ 340 milhões) para saúde, assistência social e qualificação profissional.
Empréstimo com o Banco do Brasil: Após aprovação da Assembleia Legislativa, foi sancionada a Lei nº 8.474, que autoriza um empréstimo de R$ 2,5 bilhões para infraestrutura, saúde e segurança pública.
Pedido de R$ 100 milhões para VLT: Fonteles solicitou outro financiamento para aquisição de composições ferroviárias, tentando revitalizar o problemático sistema de transporte de Teresina.
E agora, o governador formalizou na última terça-feira (23) um contrato de empréstimo no valor de R$ 730 milhões com o Banco do Brasil. O extrato do acordo, assinado pelo governador e por um representante da instituição financeira, foi divulgado no Diário Oficial do Estado na edição de 24 de dezembro.
Apesar da justificativa oficial de que os empréstimos visam atender setores fragilizados pela pandemia, como saúde e mobilidade urbana, pairam dúvidas sobre o planejamento financeiro do Estado. Se os recursos são abundantes, por que o governo recorre tanto ao crédito?
Esse volume de empréstimos compromete o futuro das finanças estaduais, sobrecarregando gerações futuras com dívidas vultosas. A ausência de fiscalização efetiva por parte da Assembleia Legislativa, aliada ao silêncio da mídia e da Justiça, amplia as preocupações sobre o destino dos recursos.
O governo Rafael Fonteles precisa prestar esclarecimentos públicos sobre a aplicação desses valores expressivos. Embora não haja acusações diretas de má gestão, a transparência se torna imperativa diante da magnitude das cifras envolvidas. O endividamento pode ser uma ferramenta útil para o desenvolvimento, mas, sem controle, corre o risco de transformar-se em um pesadelo financeiro para o Piauí. Os cidadãos merecem respostas antes que a conta se torne impagável.
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