
O ex-ministro do Combate à Fome do governo Lula, José Graziano da Silva, provocou um terremoto político ao admitir que a afirmação de que 70% dos alimentos consumidos no Brasil são provenientes da agricultura familiar foi uma invenção. A declaração, feita durante um seminário no início do mês, desmascarou uma narrativa que, por décadas, alimentou ataques ideológicos contra o agronegócio brasileiro.
Graziano revelou que, nos anos 2000, o governo não dispunha de dados concretos e optou por inflar estatísticas em favor de um discurso político. "Inventamos esse número de 70% para não dar briga. Esse número não tem em lugar nenhum", confessou o ex-ministro, deixando atônita a plateia presente no evento.
O depoimento de Graziano levanta questões fundamentais: por que o governo Lula optou por fabricar dados? Qual o verdadeiro objetivo dessa estratégia? Críticos apontam que a mentira foi usada para criar uma dicotomia artificial entre o agronegócio e a agricultura familiar, alimentando preconceitos contra o setor que sustenta a balança comercial do país e abastece mercados globais.
No entanto, essa narrativa enganosa prejudicou a própria agricultura familiar. Ao inflar sua importância com estatísticas irreais, mascarou os desafios enfrentados pelos pequenos produtores, como falta de crédito e acesso a mercados. Especialistas, como o pesquisador Calixto Rosa Neto, da Embrapa, destacam que a distorção dificultou políticas públicas mais eficazes para o setor.
A confissão de Graziano também reacendeu debates sobre o antagonismo entre o governo e o agronegócio. Líder mundial na produção de soja e proteína animal, o setor agropecuário brasileiro é frequentemente alvo de críticas e políticas desfavoráveis. Para analistas, essa postura reflete um ciúme ideológico, com tentativas de deslegitimar o sucesso do agro para promover agendas políticas específicas.
José Graziano tentou corrigir o rumo ao elogiar a soja, frequentemente demonizada por setores de esquerda. “Comemos muita soja e o que ela permite comprar, como o trigo. Sem exportação de soja, não teríamos dólares para importar alimentos essenciais”, afirmou. Sua fala desmonta o discurso que pinta o agro como vilão e reconhece sua importância econômica e estratégica.
A própria declaração de Lula, em 2014, ao admitir o uso de números inventados para criar narrativas internacionais negativas sobre o Brasil, reforça a dúvida: onde termina a política e começa a manipulação ideológica? Em um país onde o agro responde por 25% do PIB, criar inimigos imaginários para dividir a sociedade pode ter consequências desastrosas.
Todos sabem: a mentira tem perna curta. Estudos recentes, como o Censo Agropecuário de 2017, mostram que a agricultura familiar responde por apenas 23% da produção agropecuária do país - um número significativo, mas distante do mito propagado por anos. Com a farsa exposta, especialistas defendem que o foco deve ser a criação de políticas baseadas em dados reais, valorizando tanto o pequeno produtor quanto o agronegócio.
A confissão de Graziano escancara o uso político de estatísticas fictícias e abre espaço para uma reflexão mais profunda sobre o papel do governo na formulação de políticas agrárias. A verdade, mesmo tardia, expõe um jogo perigoso de desinformação que precisa ser revisto para garantir um debate honesto sobre o futuro da produção de alimentos no Brasil.
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