
A máxima de que 'contra fatos não há argumentos' resume o cenário desafiador do real, que enfrenta sua pior crise desde sua criação em 1994. O dólar chegou a R$ 6,26 na quarta-feira, 18 de dezembro, acumulando uma desvalorização de 24,3% em 2024, e segue liderando o ranking de perda de valor entre as principais moedas globais.
Enquanto o governo tenta convencer o mercado de sua disciplina fiscal, os efeitos negativos da escalada do dólar já são sentidos em diversos setores da economia brasileira, reacendendo temores de uma inflação descontrolada como a vivida nas décadas de 80 e início dos anos 90.
O que explica a desvalorização do real?
O real, que nasceu no governo Itamar Franco para conter uma hiperinflação histórica, enfrenta um teste de fogo. Especialistas apontam um misto de fatores internos e externos. Por um lado, a incerteza em relação ao pacote fiscal e à política econômica do governo Lula fragiliza a moeda. Por outro, o cenário global de alta dos juros nos Estados Unidos reforça a atratividade do dólar como reserva de valor.
Mesmo com a atuação do Banco Central, que realizou leilões extraordinários de dólares à vista, somando US$ 8 bilhões nesta quinta-feira, a moeda americana chegou a ser negociada a R$ 6,30 pela manhã, antes de recuar para R$ 6,24.
Efeitos da crise cambial
A desvalorização do real já começa a pressionar os preços no Brasil. Produtos importados, combustíveis e insumos industriais encarecem, aumentando os custos para empresas e consumidores. A inflação, que havia sido controlada pelo Plano Real, corre o risco de voltar a níveis preocupantes, principalmente para a população de baixa renda.
O cenário afeta também a credibilidade do governo. Enquanto a equipe econômica liderada por Fernando Haddad busca acalmar o mercado, declarações do governo sobre uma suposta "indústria das fake news" como responsável pela alta do dólar geram críticas e dúvidas sobre a condução da crise.
Dólar: qual o limite?
A pergunta que ecoa entre analistas e empresários é: onde o dólar vai parar? A tendência de curto prazo dependerá da capacidade do governo de aprovar um pacote fiscal convincente e do Banco Central de conter a volatilidade no mercado cambial. Contudo, sem ações concretas e uma narrativa alinhada, o risco de um descontrole maior se torna real.
A crise atual deixa clara a necessidade de revisitar a estratégia econômica e de fortalecer os pilares que sustentam a moeda brasileira. A experiência das décadas passadas já mostrou que o custo de ignorar a inflação e a instabilidade cambial é alto - e quem paga essa conta, inevitavelmente, é a população.
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