Segunda, 29 de Junho de 2026
23°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Internacional DEU O TROCO

Itamaraty expulsa embaixadora da Nicarágua e Lula da resposta a altura ao 'mui amigo' Ortega

Fulvia Patrícia Castro Matus, que havia assumido o posto de embaixadora no Brasil apenas em maio deste ano, se viu no meio dessa crise diplomática

08/08/2024 às 15h51
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Lula e o amigo Ortega - Foto: Reprodução
Lula e o amigo Ortega - Foto: Reprodução

O governo brasileiro enfrentou uma situação de humilhação diplomática nesta semana, quando o ditador nicaraguense Daniel Ortega tomou a drástica medida de expulsar o embaixador do Brasil em Manágua, Breno de Sousa Brasil Dias Costa. Essa atitude não apenas desrespeitou o diplomata brasileiro, mas também foi vista como um insulto ao próprio governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em resposta ao ato hostil, o governo brasileiro adotou a política do "bateu, levou" e decidiu também expulsar a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Fulvia Patrícia Castro Matus. A medida foi uma retaliação direta e uma tentativa de restabelecer a dignidade diplomática após a afronta de Ortega.

A expulsão do embaixador brasileiro ocorreu na quarta-feira, 7 de agosto, depois que ele se recusou a participar das comemorações dos 45 anos da Revolução Sandinista, evento que celebrou a ascensão do regime que hoje é liderado pelo próprio Ortega. A ausência de Breno de Sousa no evento foi vista como uma ofensa pela presidência nicaraguense, o que culminou na sua expulsão.

Fulvia Patrícia Castro Matus, que havia assumido o posto de embaixadora no Brasil apenas em maio deste ano, se viu no meio dessa crise diplomática. Após o Brasil conceder "agrément" à diplomata, permitindo sua atuação oficial, a decisão de expulsá-la reflete a gravidade com que o governo Lula encarou a humilhação imposta por Ortega.

Esse episódio revela as tensões latentes entre os dois países e a determinação do governo brasileiro em não permitir que atos de desrespeito à sua diplomacia fiquem sem resposta. Ressalte-se que o ditador Ortega vinha recebendo ao longo dos anos uma atenção mais que carinhosa de Lula. Aliás, a defesa de Lula a Ortega era algo incompreensível pelos líderes democráticos do Ocidente.

O autoritarismo de Daniel Ortega atingiu novos níveis de desrespeito com o Brasil, quando além de expulsar o embaixador, também ordenou a saída de um grupo de freiras brasileiras que atuavam na Nicarágua em missões humanitárias. Esse ato de extrema falta de cortesia foi acompanhado pela expropriação dos bens da fundação religiosa à qual as irmãs pertencem, o Instituto de las Hermanas Pobres de Jesucristo.

O gesto não apenas revela a brutalidade da administração de Ortega, mas também o desprezo pelas relações diplomáticas e humanitárias, já que as freiras brasileiras estavam ali para ajudar os mais necessitados, em uma missão de caridade e solidariedade. A postura autoritária do ditador, que é apoiado por Lula, levanta sérias preocupações sobre a liberdade religiosa e a segurança das organizações internacionais que operam na Nicarágua.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários