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Síria em revolução: rebeldes anunciam queda de Bashar al-Assad

Após décadas de repressão e violência, o domínio da família Assad chega ao fim, com apelos por reconstrução e justiça

08/12/2024 às 11h06 Atualizada em 09/12/2024 às 23h28
Por: Wagner Albuquerque
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Rebeldes rasgam retrato do ditador da Síria, Bashar al-Assad, em Aleppo, tomada na semana passada - Foto: KARAM AL-MASRI/EFE/EPA
Rebeldes rasgam retrato do ditador da Síria, Bashar al-Assad, em Aleppo, tomada na semana passada - Foto: KARAM AL-MASRI/EFE/EPA

Rebeldes sírios tomaram o controle de uma emissora estatal local, interrompendo a programação regular para transmitir uma mensagem anunciando o fim do regime de Bashar al-Assad. A declaração foi acompanhada por música revolucionária e destacou a “vitória da grande revolução síria”, pedindo à população que proteja as propriedades públicas e privadas.

A queda do regime marca o fim de um domínio de mais de 50 anos da família Assad na Síria. Bashar al-Assad assumiu o poder em 2000, sucedendo seu pai, Hafez al-Assad, que governou o país com mão de ferro desde 1971. Durante seu governo, Bashar enfrentou acusações de repressão brutal, especialmente após o início da guerra civil em 2011, que deixou o país devastado.

Hafez al-Assad, um militar que saiu da pobreza para liderar o Partido Baath, tomou o poder em 1970. Seu governo impulsionou a minoria alauíta a posições de destaque político e militar, mas também foi marcado por repressão severa. Em 1982, ele ordenou o massacre de milhares de opositores em Hama, encerrando uma revolta liderada pela Irmandade Muçulmana.

Bashar al-Assad, originalmente formado em oftalmologia, não estava destinado a liderar o país. Ele assumiu o papel de herdeiro apenas após a morte de seu irmão mais velho, Bassel, em um acidente de carro em 1994. Após a morte de Hafez em 2000, o parlamento sírio alterou a constituição para permitir que Bashar, então com 34 anos, assumisse a presidência.

A repressão durante o regime de Bashar gerou indignação internacional. Entre 2011 e 2015, um relatório da Anistia Internacional apontou que cerca de 13 mil pessoas foram executadas na prisão de Saydnaya. Nos últimos dias, a captura dessa prisão por rebeldes trouxe à tona cenas chocantes de celas lotadas e prisioneiros libertados, incluindo mulheres e crianças, enquanto famílias sírias buscavam notícias de seus entes desaparecidos.

Com a libertação de prisioneiros, vídeos nas redes sociais mostraram detenções insalubres e relatos emocionantes de sobreviventes. Usuários começaram a divulgar listas de libertados para ajudar famílias ansiosas por informações. “Pedimos a todos que fotografem os detidos libertados para que suas famílias possam reconhecê-los”, escreveu um comentarista nas redes.

O colapso do regime Assad deixa o futuro da Síria incerto. Enquanto a população celebra o fim de décadas de repressão, desafios significativos permanecem, incluindo a reconstrução do país e a garantia de estabilidade política e social após anos de guerra devastadora.

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