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Internacional FORÇA REBELDE

Rebeldes às portas de Damasco: o cerco à capital síria intensifica a crise humanitária e política

Avanço opositor desafia regime de Bashar al-Assad; ofensiva acirra tensão no Oriente Médio

07/12/2024 às 17h22 Atualizada em 07/12/2024 às 17h30
Por: Douglas Ferreira
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Rebeldes podem tomar a capital a qualquer momento - Foto: Reprodução
Rebeldes podem tomar a capital a qualquer momento - Foto: Reprodução

O conflito sírio ganha contornos ainda mais dramáticos com a ofensiva das forças rebeldes, que agora afirmam estar nas proximidades de Damasco, capital e centro do poder do presidente Bashar al-Assad. Após uma surpreendente investida lançada na região de Daraa, ao sul do país, o Exército Sírio Livre (ESL) reivindica conquistas estratégicas em um avanço que reacende as chamas da guerra civil iniciada em 2011.

Como o governo está reagindo?

Enquanto os insurgentes relatam avanços rápidos, as forças de segurança do governo buscam conter a progressão rebelde. Tropas leais ao regime de Assad reforçaram posições na capital e alegam não terem se retirado, acusando os rebeldes de espalharem desinformação para provocar pânico. Vídeos nas redes sociais mostram celebrações em áreas conquistadas pelos insurgentes, com cenas marcantes como a derrubada de estátuas de Hafez al-Assad, pai do atual presidente, em Jaramana, subúrbio de Damasco.

Onde começou o levante e qual a dimensão do avanço?

A ofensiva foi deflagrada na sexta-feira (6) em Daraa, berço da revolta síria de 2011, e em menos de dois dias os rebeldes tomaram áreas rurais e subúrbios estratégicos como Moadamyeh e Darayya. O controle dessas regiões representa uma pressão direta sobre a capital e evidencia o desgaste da capacidade de reação do regime.

Impactos do avanço rebelde

O avanço rebelde coloca em risco a relativa estabilidade obtida após o cessar-fogo de 2020. A escalada pode desencadear novos fluxos migratórios, aumentar o número de deslocados internos e atrair a intervenção de potências regionais e internacionais, em um território já marcado por rivalidades geopolíticas.

O papel da população e o financiamento dos rebeldes

Embora cenas de apoio à insurgência sejam relatadas, a situação da população permanece ambígua. Após mais de uma década de guerra, muitos civis estão exaustos e divididos entre o desejo por mudanças e o temor de maior instabilidade. Quanto ao financiamento dos rebeldes, embora o ESL tenha perdido parte de seu apoio internacional, fluxos de recursos de atores regionais e redes privadas continuam a abastecer sua luta.

Um novo capítulo na tragédia síria

A retomada do conflito em larga escala expõe as falhas nas tentativas de estabilização e reconciliação na Síria. Com mais de 300 mil civis mortos e milhões de deslocados ao longo de 12 anos de guerra, a ofensiva rebelde às portas de Damasco é mais um lembrete de que a paz no país continua sendo uma meta distante e dolorosamente difícil de alcançar.

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