
O conflito sírio ganha contornos ainda mais dramáticos com a ofensiva das forças rebeldes, que agora afirmam estar nas proximidades de Damasco, capital e centro do poder do presidente Bashar al-Assad. Após uma surpreendente investida lançada na região de Daraa, ao sul do país, o Exército Sírio Livre (ESL) reivindica conquistas estratégicas em um avanço que reacende as chamas da guerra civil iniciada em 2011.
Enquanto os insurgentes relatam avanços rápidos, as forças de segurança do governo buscam conter a progressão rebelde. Tropas leais ao regime de Assad reforçaram posições na capital e alegam não terem se retirado, acusando os rebeldes de espalharem desinformação para provocar pânico. Vídeos nas redes sociais mostram celebrações em áreas conquistadas pelos insurgentes, com cenas marcantes como a derrubada de estátuas de Hafez al-Assad, pai do atual presidente, em Jaramana, subúrbio de Damasco.
A ofensiva foi deflagrada na sexta-feira (6) em Daraa, berço da revolta síria de 2011, e em menos de dois dias os rebeldes tomaram áreas rurais e subúrbios estratégicos como Moadamyeh e Darayya. O controle dessas regiões representa uma pressão direta sobre a capital e evidencia o desgaste da capacidade de reação do regime.
O avanço rebelde coloca em risco a relativa estabilidade obtida após o cessar-fogo de 2020. A escalada pode desencadear novos fluxos migratórios, aumentar o número de deslocados internos e atrair a intervenção de potências regionais e internacionais, em um território já marcado por rivalidades geopolíticas.
Embora cenas de apoio à insurgência sejam relatadas, a situação da população permanece ambígua. Após mais de uma década de guerra, muitos civis estão exaustos e divididos entre o desejo por mudanças e o temor de maior instabilidade. Quanto ao financiamento dos rebeldes, embora o ESL tenha perdido parte de seu apoio internacional, fluxos de recursos de atores regionais e redes privadas continuam a abastecer sua luta.
A retomada do conflito em larga escala expõe as falhas nas tentativas de estabilização e reconciliação na Síria. Com mais de 300 mil civis mortos e milhões de deslocados ao longo de 12 anos de guerra, a ofensiva rebelde às portas de Damasco é mais um lembrete de que a paz no país continua sendo uma meta distante e dolorosamente difícil de alcançar.
TENSÃO INTE Trump endurece o tom e ameaça: “O Irã deixará de existir” se romper cessar-fogo novamente
ESTREITO DE ORMUZ Novos ataques dos EUA elevam risco de guerra aberta no Oriente Médio
DESASTRE NATURAL 1430 mortos: Venezuela vive uma das maiores tragédias sísmicas de sua história
TERREMOTO VENEZUELA Venezuela vive corrida contra o tempo enquanto número de mortos chega a 920 e mais de 54 mil seguem desaparecidos
ITAMARATY Terremoto na Venezuela: tragédia deixa centenas de vítimas e atinge brasileiros
UMA ONDA AZUL América Latina desavermelha? Keiko Fujimori vence no Peru e amplia avanço da direita na região Mín. 23° Máx. 33°