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Justiça NARCOTRÁFICO

Rede criminosa: Promotora denuncia 20 alvos de operação do Gaeco por tráfico e lavagem de dinheiro, inclusive advogados

Entre os acusados, três advogados são apontados como peças-chave na organização liderada por Vagner Carvalho

07/12/2024 às 08h13
Por: Douglas Ferreira
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David Pereira, Juliana Santo e Aliomar Maranhão denunciados pelo MP - Foto: Reprodução
David Pereira, Juliana Santo e Aliomar Maranhão denunciados pelo MP - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Piauí formalizou denúncia contra 20 pessoas, incluindo os advogados David Pereira de Sá, Aliomar Maranhão Rego Rocha Silva e Juliana Lino Santos, por envolvimento em um esquema de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e falsidade documental. A ação penal foi movida pela promotora Emmanuelle Martins Neiva Dantas Rodrigues Belo, com base na Operação Fragmentado, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Quem são os denunciados e os crimes atribuídos?

Entre os denunciados estão os advogados, acusados de integrar um complexo esquema criminoso que operava em núcleos. Os principais crimes atribuídos incluem:

  • Tráfico de drogas e associação para o tráfico: Os advogados atuavam como facilitadores e "traficantes locais" sob a liderança de Vagner da Silva Carvalho, chefe da organização, que permanece preso.
  • Lavagem de dinheiro: Movimentações financeiras suspeitas superaram R$ 1 milhão em 2023, incluindo valores expressivos gerenciados por Vitória Oliveira Marinho, namorada de Vagner.
  • Comércio ilegal de armas: Integrantes do grupo forneciam e negociavam armas para sustentar a rede criminosa.
  • Falsidade documental: Advogados teriam auxiliado Vitória Marinho a acessar o presídio usando a identidade falsa de uma advogada.

O papel dos advogados

Os advogados David Pereira e Aliomar Maranhão foram acusados de intermediar o esquema, enquanto Juliana Lino Santos teria emprestado sua identidade profissional para permitir o acesso de Vitória ao presídio. David também é apontado como "leva e traz" de informações e recursos entre os líderes da organização.

Vagner Carvalho e a namorada Vitória Marinho que se passou por advogada para entrar no presídio - Foto: Reprodução

Situação dos denunciados

Embora o chefe da organização, Vagner Carvalho, continue preso, David Pereira foi liberado na última sexta-feira (6) após decisão do desembargador Pedro de Alcântara Macedo. A soltura foi condicionada a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno. A promotora, por sua vez, destacou que as provas nos autos, incluindo diálogos obtidos em celulares, sustentam a materialidade e autoria dos crimes.

Impacto da operação

A Operação Fragmentado revelou como a organização estruturava suas ações por meio de redes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e armamento. Vagner, mesmo preso, comandava as operações com o auxílio de Vitória e advogados que usavam seus conhecimentos para blindar a quadrilha legalmente.

A promotoria pediu a condenação de todos os envolvidos pelos crimes de tráfico, associação criminosa, lavagem de dinheiro, comércio ilegal de armas e falsidade documental. Além disso, solicitou a incineração das drogas apreendidas.

Desafios e alertas

O caso evidencia a infiltração de profissionais da área jurídica em redes criminosas, o que exige maior vigilância de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A denúncia é um marco no combate ao crime organizado, mas reforça a necessidade de maior rigor nas investigações e punições para evitar a continuidade de tais práticas.

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