
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou nesta quinta-feira (5) seu compromisso com a conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Em visita à América Latina, ela declarou que o “acordo está à vista” e pediu esforços para cruzar a linha de chegada. “Temos a chance de criar um mercado de 700 milhões de pessoas – a maior parceria comercial do mundo”, afirmou em publicação no X.
Von der Leyen está em Montevidéu, no Uruguai, onde participa da cúpula do Mercosul, que reúne Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Durante o evento, que se encerra nesta sexta-feira (6), espera-se um anúncio oficial sobre o acordo, em negociação há mais de 25 anos.
Embora o tratado não exija aprovação unânime entre os 27 membros da UE, ele enfrenta forte oposição da França e outros países, como Polônia, Áustria e Holanda. O presidente francês Emmanuel Macron reiterou sua posição contrária ao acordo, classificando-o como “inaceitável em seu estado atual”. Produtores rurais franceses temem concorrência desleal e apontam diferenças nas exigências sanitárias e ambientais entre os blocos.
A Alemanha, principal economia da UE, é uma das maiores defensoras do tratado. O país espera que o acordo beneficie suas indústrias automobilística e química, reforçando sua competitividade global. Para Ursula von der Leyen, o momento é de discutir compromissos finais e superar os últimos impasses políticos para avançar.
De acordo com Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia, a viagem de von der Leyen ao Uruguai tem como objetivo fechar as últimas negociações políticas. “Estamos no mais alto nível político, discutindo os compromissos finais”, afirmou. Gill também destacou que a Comissão Europeia tem autonomia para negociar acordos comerciais, mesmo diante de crises políticas internas nos países membros.
As negociações entre Mercosul e UE vêm se arrastando desde 1999, mas o texto original só foi assinado em 2019. Em 2023, as tratativas ganharam novo fôlego com a introdução de um protocolo adicional pela UE, que incluiu exigências ambientais mais rigorosas. Em resposta, países do Mercosul buscaram garantir mais incentivos para suas indústrias nacionais.
A conclusão do acordo representaria uma importante vitória política para ambas as partes. No entanto, as divergências entre os blocos e a resistência interna na Europa continuam sendo desafios significativos para que a maior parceria comercial do mundo se torne realidade.
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