
A pobreza continua sendo um dos maiores desafios do Piauí. Apesar de uma redução gradual ao longo dos últimos 10 anos, o estado ainda registra 45,3% da população vivendo com menos de R$ 665 por mês, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2024, do IBGE. Isso representa cerca de 1,49 milhão de pessoas, um número que expõe a gravidade da situação em pleno 2024.
Embora o índice de pobreza tenha caído 10,1 pontos percentuais desde 2012, quando era de 55,4%, a redução média anual foi inferior a 1%. Nesse ritmo, levaria mais de 45 anos para zerar a pobreza no estado. A pergunta que surge é: por que a redução ocorre de forma tão lenta, mesmo com políticas públicas voltadas para o combate à pobreza?
No ranking nacional, o Piauí ocupa a 9ª posição entre os estados com maiores índices de pobreza, melhorando em relação à 5ª posição que ocupava em 2012. No entanto, segue atrás de estados como Acre (51,5%), Maranhão (51,2%) e Ceará (48,7%). Em contraste, estados como Santa Catarina (11,5%) e Rio Grande do Sul (14,4%) apresentam os menores índices de pobreza do país, evidenciando a disparidade regional.
A extrema pobreza, que considera aqueles vivendo com menos de R$ 209 mensais, também apresentou melhora. Em 2023, 8,1% da população piauiense, ou cerca de 267 mil pessoas, estavam nessa condição, contra 14,3% em 2012. Apesar da redução, o índice ainda é alto, destacando o quanto a miséria permanece enraizada no estado.
No cenário nacional, a taxa de pobreza foi de 27,4% em 2023, atingindo 51,7 milhões de pessoas, contra 31,6% no ano anterior. Desde 2012, o índice nacional caiu 7,3 pontos percentuais. Já a extrema pobreza no Brasil passou de 6,6% em 2012 para 4,4% em 2023, com os menores índices sendo registrados no Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina, todos abaixo de 1,5%.
Apesar dos avanços, os números ressaltam a necessidade de políticas públicas mais eficazes e amplas para enfrentar a desigualdade estrutural no Piauí. A alta dependência de programas sociais e a falta de desenvolvimento econômico regional robusto são fatores que dificultam uma mudança significativa no curto prazo.
Com quase metade de sua população vivendo na pobreza, o Piauí ainda é um reflexo das dificuldades enfrentadas pelo Nordeste brasileiro. A questão não é apenas melhorar os indicadores, mas acelerar a implementação de estratégias que garantam dignidade e oportunidades reais para a população. Afinal, em pleno 2024, é inaceitável que 1,49 milhão de piauienses vivam em condições tão precárias.
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