
O presidente sul-coreano, Yoon Suk-yeol, surpreendeu ao decretar lei marcial, medida extrema que suspende garantias e direitos fundamentais, justificável apenas em crises gravíssimas, como um ataque da Coreia do Norte. No entanto, sem qualquer ameaça imediata, a decisão gerou perplexidade e forte oposição. A Assembleia Nacional, com 190 deputados presentes, rejeitou a medida por unanimidade, incluindo membros do próprio partido de Yoon. Soldados que cercavam o Parlamento se retiraram sem confrontos graves, após breves tensões com manifestantes.
A decisão acentuou a fragilidade política de Yoon, que governa sem maioria parlamentar e enfrenta queda de popularidade. Conhecido por sua atuação como promotor implacável contra a corrupção, Yoon agora lida com controvérsias envolvendo sua esposa, Kim Keon-hee. A primeira-dama, embora absolvida judicialmente após acusações de aceitar presentes suspeitos, teve sua imagem arranhada publicamente, agravando a crise de confiança no governo.
As propostas do presidente também têm gerado resistência, como o aumento da carga horária semanal para até 69 horas, amplamente rejeitado pelos jovens. Essa geração, menos disposta a sacrifícios históricos que impulsionaram o desenvolvimento econômico do país, se opõe a uma política que revive a “gwarosa” — fenômeno de mortes por excesso de trabalho. Apesar dos avanços econômicos, com renda per capita de 33 mil dólares, o tema expõe um desequilíbrio social significativo.
A decisão de Yoon de recorrer à lei marcial foi vista como uma jogada insensata, agravando a crise política em um país que superou décadas de golpes e repressão para alcançar a estabilidade democrática. A Coreia do Sul, antes marcada por episódios violentos, como o assassinato do presidente Park Chung-hee por um subordinado, parecia ter deixado essas instabilidades no passado. Agora, o gesto de Yoon ameaça reabrir feridas históricas.
O histórico político do país reforça os desafios de Yoon. A ex-presidente Park Geun-hye, filha de Park Chung-hee, foi destituída e condenada por corrupção antes de receber indulto presidencial e comparecer à posse de Yoon. Esses precedentes lançam dúvidas sobre a habilidade do atual governo em lidar com crises e manter a confiança pública.
Enquanto isso, do outro lado da fronteira, Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, observa os desdobramentos com satisfação. Para ele, os problemas políticos do Sul são um contraste bem-vindo à sua própria liderança autoritária, reforçando a percepção de fragilidade no governo sul-coreano.
TENSÃO INTE Trump endurece o tom e ameaça: “O Irã deixará de existir” se romper cessar-fogo novamente
ESTREITO DE ORMUZ Novos ataques dos EUA elevam risco de guerra aberta no Oriente Médio
DESASTRE NATURAL 1430 mortos: Venezuela vive uma das maiores tragédias sísmicas de sua história
TERREMOTO VENEZUELA Venezuela vive corrida contra o tempo enquanto número de mortos chega a 920 e mais de 54 mil seguem desaparecidos
ITAMARATY Terremoto na Venezuela: tragédia deixa centenas de vítimas e atinge brasileiros
UMA ONDA AZUL América Latina desavermelha? Keiko Fujimori vence no Peru e amplia avanço da direita na região Mín. 23° Máx. 33°