
A recente disparada do dólar, alcançando a inédita marca de R$ 6 na manhã desta quinta-feira (28) e encerrando o dia a R$ 5,98, escancara a falta de sintonia entre o governo Lula e o mercado financeiro. As medidas apresentadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o corte de gastos foram recebidas com ceticismo, reforçando a percepção de desorganização fiscal e ausência de estratégias concretas para restaurar a confiança dos investidores.
Mesmo em tom populista, o pacote de Haddad, que prometeu isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, foi apontado como uma jogada eleitoreira, com efeitos práticos postergados para 2027 - ou seja, para a próxima gestão. Críticos, como o deputado gaúcho, Gustavo Victorino, do Republicanos/RS, denunciaram a "pegadinha" embutida no anúncio, argumentando que o "governo busca arrecadar mais agora, enquanto as promessas de benefícios ficam para depois".
O senador Rogério Marinho, do Partido Liberal, do Partido Liberal/RN, foi igualmente incisivo, chamando as medidas de "pirotecnia" e acusando o governo de inflar narrativas vazias para mascarar uma administração fiscal desastrosa. Para ele, o aumento de impostos e a expansão da dívida são inevitáveis na atual trajetória petista. "Tudo não passa de um factóide, o pacote traz imbutido uma nova carga de tributos", acentua Marinho.
A fala de Lula no passado, em que dizia que um governo do PT deveria "desagradar o mercado", parece ter se materializado de forma literal. A reação do mercado foi clara: desconfiança traduzida em recordes consecutivos do dólar, que, além de gerar inflação, prejudica diretamente o bolso dos brasileiros.
O governo anunciou mudanças na concessão do abono salarial, atualmente pago aos trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. A nova regra prevê uma transição nos próximos anos, reduzindo o limite para 1,5 salário mínimo. Essa alteração, na prática, representa mais um aperto financeiro para os trabalhadores de baixa renda.
Já em relação ao Imposto de Renda, a proposta inclui a aplicação de uma alíquota mínima para contribuintes com renda mensal de R$ 50 mil (equivalente a R$ 600 mil anuais), com cobrança progressiva, ou seja, mais imposto. No entanto, permanece a dúvida sobre a abrangência da medida, particularmente se ela se estenderá aos ministros do Supremo Tribunal Federal, frequentemente alvo de críticas por privilégios fiscais. Em 2025 o salário de um ministro do STF será de R$ 46.300 que somado aos penduricálhos supera em muito o teto de R$ 50 mil.
Enquanto isso, o cenário evidencia a fragilidade da política econômica do governo, incapaz de comunicar ou implementar medidas que inspirem estabilidade e credibilidade. O dólar batendo máximas históricas é mais do que um número: é um reflexo de que o discurso de campanha não basta para governar.
E, de acordo com a manifestação no "afther day" do anúncio do pacote de gastos tudo leva a crer que o presidente não entendeu o recado do mercado financeiro. Lula continua com sua sanha: "temos que desagradar o mercado, porque nós não combinamos", dito lá em 2022. Lula só esquece que ele não é mais estilingue e sim telhado de vidro. Mas, fundamentalmente, que é o presidente da República e como tal, precisa conter suas falas, pelo menos em público.
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