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Crise de saúde no Piauí: o Estado com a menor taxa de leitos de UTI do Brasil

A contradição entre os discursos políticos e a realidade alarmante da saúde pública piauiense expõe uma grave desigualdade estrutural

23/11/2024 às 14h24 Atualizada em 23/11/2024 às 14h34
Por: Douglas Ferreira
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O Piauí é o lanterna no ranking de UTIs no Brasil - Foto: Reprodução
O Piauí é o lanterna no ranking de UTIs no Brasil - Foto: Reprodução

Embora Teresina seja considerada um polo de saúde no Nordeste, recebendo pacientes de diversas regiões do Brasil, o Piauí amarga a última posição no ranking nacional de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O levantamento, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), revelou que o estado possui apenas 20,95 leitos por 100 mil habitantes, menos da metade da média nacional, que é de 36,06.

A dura realidade: números que preocupam

O Piauí conta com 685 leitos de UTI, enquanto o Distrito Federal, líder no ranking, possui 2.160 leitos, uma densidade de 76,68 por 100 mil habitantes. Essa discrepância é especialmente preocupante quando se considera que o estado é referência para pacientes de outros estados do Nordeste e até da região Norte.

A desigualdade na distribuição de leitos não é um problema exclusivo do Piauí, mas atinge todo o Brasil. A AMIB destacou que 19 dos 27 Estados brasileiros estão abaixo da média nacional, com regiões como o Norte e o Nordeste apresentando índices muito inferiores ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Causas e consequências: o que está por trás do problema?

A deficiência de leitos no Piauí reflete décadas de falta de investimento em infraestrutura hospitalar e de incentivos para atrair profissionais qualificados. Mesmo com o aumento de 52% no número de leitos de UTI no Brasil na última década, impulsionado pela pandemia de Covid-19, o estado permaneceu estagnado no quesito capacidade proporcional.

Essa realidade também expõe o contraste entre as redes pública e privada de saúde. Enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) opera 51,7% dos leitos do país, atende a 152 milhões de pessoas, oferecendo 24,87 leitos por 100 mil habitantes. Já o setor privado, que cobre 51 milhões de beneficiários, oferece 69,28 leitos por 100 mil habitantes.

A inércia política e a necessidade de ação

Diante de dados tão alarmantes, surgem questões críticas:

  • Por que governos estaduais e municipais não priorizaram investimentos em leitos de UTI, mesmo sabendo da sobrecarga histórica em Teresina?
  • Quais medidas emergenciais podem ser adotadas para evitar um colapso no sistema de saúde?
  • Qual é o papel da bancada federal piauiense na busca de recursos para reverter esse quadro?

O silêncio de líderes políticos e instituições de saúde locais, como o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí e a Fundação Municipal de Saúde de Teresina, diante do levantamento da AMIB, só agrava a sensação de abandono.

O que precisa ser feito?

Para superar esse desafio, é essencial:

  1. Aumentar investimentos públicos: Melhorar a infraestrutura hospitalar, expandir programas de residência em medicina intensiva e criar políticas de incentivo para atrair intensivistas ao Estado.
  2. Envolver a bancada federal: Deputados e senadores precisam pressionar o governo federal por mais recursos para o SUS no Estado.
  3. Aperfeiçoar a gestão: Implementar uma gestão eficiente que priorize a equidade na distribuição de recursos e serviços de saúde.
  4. Fortalecer parcerias público-privadas: Ampliar a colaboração entre o SUS e o setor privado para aumentar a oferta de leitos.

Conclusão: um futuro que exige ação imediata

O Piauí enfrenta uma emergência em saúde pública que demanda respostas urgentes. Apesar dos discursos de gestores estaduais sobre as conquistas na área da saúde, a realidade dos números revela uma negligência histórica. O Estado precisa, urgentemente, sair da última posição no ranking de leitos de UTI para garantir o direito à vida e à dignidade de sua população.

Confira o ranking de leitos de UTI por taxa proporcional

Unidade federativa Leitos totais Densiade
Distrito Federal 2.160 76,68
Rio de Janeiro 10.021 62,42
Espírito Santo 1.879 49,02
Rondônia 748 47,31
São Paulo 17.853 40,19
Tocantins 563 37,25
Pernambuco 3.372 37,23
Mato Grosso 1.359 37,14
Paraná 4.000 34,96
Paraíba 1.367 34,39
Rio Grande do Sul 3.484 32,02
Goiás 2.272 32,2
Alagoas 971 31,05
Minas Gerais 6.376 31,04
Mato Grosso do Sul 854 30,98
Rio Grande do Norte 1.006 30,46
Amapá 213 29,04
Sergipe 625 28,29
Bahia 3.958 28
Santa Catarina 2.128 27,96
Ceará 2.371 26,97
Amazonas 1.048 26,59
Maranhão 1.645 24,28
Pará 1.883 23,2
Roraima 142 22,32
Acre 177 21,32
Piauí 685 20,95
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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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