
Nesta terça-feira, dia 5 de novembro, os eleitores dos Estados Unidos irão às urnas para eleger o novo presidente. A disputa está entre o ex-presidente Donald Trump, representando o Partido Republicano, e a democrata Kamala Harris. Diferente do sistema brasileiro, onde o presidente é escolhido por voto direto, o processo americano utiliza o Colégio Eleitoral — um sistema que permite que o candidato com menos votos populares possa ser o vencedor. Para entender melhor, vamos explorar as particularidades desse complexo processo.
Nos Estados Unidos, o presidente é eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral, composto por 538 delegados. Cada Estado tem um número de delegados determinado pela sua população e representação no Congresso. Para vencer a eleição, um candidato precisa garantir 270 desses votos.
Esse sistema funciona de maneira peculiar: os eleitores votam em delegados estaduais, e, em quase todos os Estados, o candidato mais votado conquista todos os delegados (sistema conhecido como “o vencedor leva tudo”). Isso significa que mesmo uma vitória apertada em um Estado pode garantir ao candidato todos os seus delegados, ampliando a sua vantagem no Colégio Eleitoral, mas não necessariamente no voto popular. É por isso que, em 2016, Donald Trump venceu Hillary Clinton apesar de ter recebido menos votos populares.
Diferente do Brasil, o voto nos EUA não é obrigatório. Isso impacta a participação eleitoral, que mesmo em momentos de alta adesão, como em 2020, registrou apenas 62,8% do eleitorado. Em busca de ampliar essa participação, muitos Estados permitem a votação antecipada e a opção do voto por correio, uma prática que ganhou relevância nas últimas eleições, mas também suscitou polêmicas.
Os candidatos presidenciais nos EUA são definidos em etapas prévias chamadas primárias e caucus. Nas primárias, os eleitores escolhem seus candidatos em votação secreta; no caucus, a escolha ocorre de forma aberta, em assembleia. O vencedor dessas etapas em cada partido é então oficializado como o candidato presidencial, consolidando a disputa entre os candidatos das duas maiores forças políticas do país: o Partido Democrata e o Partido Republicano.
A possibilidade de um candidato vencer a presidência sem obter a maioria dos votos populares é uma das características mais controversas do sistema americano. O Colégio Eleitoral privilegia a disputa em Estados-chave, muitas vezes determinando o resultado nacional. Com o pleito ocorrendo em turno único, o foco não é conquistar a maioria absoluta do eleitorado, mas, sim, a maioria dos delegados.
A eleição de 2024 promete ser um momento decisivo para a democracia americana, que, embora diferente do sistema brasileiro, é uma das mais ricas e complexas do mundo. Agora, os olhos do mundo estão voltados para os eleitores americanos e seu processo único de escolha do próximo presidente.
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