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Justiça DILEMA DA MÃE

A mãe do 'Maníaco do Parque' e o dilema da soltura: Ela acredita que o filho não deve ser liberado

Após 30 anos de prisão, a mãe de Francisco de Assis Pereira, o 'Maníaco do Parque', expressa medo e rejeita a possibilidade de sua libertação, temendo que ele continue a ser um perigo para a sociedade

28/10/2024 às 09h30
Por: Douglas Ferreira
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Nem mesmo a mãe do serial killer quer a soltura do filho - Foto: Reprodução
Nem mesmo a mãe do serial killer quer a soltura do filho - Foto: Reprodução

A figura materna é sinônimo de cuidado, amor e proteção. No entanto, o que acontece quando uma mãe reconhece a crueldade de seu próprio filho, um serial killer? Maria Helena de Souza Pereira, mãe de Francisco de Assis Pereira, o "Maníaco do Parque", enfrenta esse doloroso dilema ao ver seu filho se aproximar de uma possível liberdade em 2028, após cumprir 30 anos de prisão por uma série de crimes brutais que marcaram o Brasil nos anos 1990.

Entre 1997 e 1998, Francisco Pereira assassinou sete mulheres e atacou outras 23, crimes que chocaram o país e o levaram a ser condenado a 280 anos de prisão. No entanto, devido à legislação vigente na época, a pena máxima permitida é de 30 anos (hoje é de 40 anos), o que abre a possibilidade de sua libertação em 2028. Apesar da proximidade dessa data, Maria Helena, hoje com 77 anos, não acredita que seu filho esteja pronto para voltar à sociedade.

Em entrevista, a O Globo, Maria Helena afirmou que não pretende receber Francisco em casa caso ele seja solto. Para ela, ele não está ressocializado e ainda representa uma ameaça. “Faz dez anos que não o visito. Nem sei se está pronto para sair. Acho que não”, declarou. Ela expressou a esperança de que ele pudesse viver em Portugal, onde há uma mulher que demonstrou interesse por ele.

Maria Helena também revelou que Francisco continua a receber cartas e visitas de mulheres que o admiram, muitas das quais ajudam financeiramente a mãe do criminoso. Mesmo assim, ela sente repulsa pelo apelido "Maníaco do Parque", dizendo: “Tenho pavor desse nome.” Apesar de não visitá-lo há anos, Maria Helena reafirma seu amor por Francisco, chamando-o carinhosamente de "Tim".

O possível retorno de Francisco Pereira à sociedade gera preocupação entre especialistas. O promotor Edilson Mougenot Bonfim, que atuou no caso há mais de 20 anos, expressou sérias dúvidas sobre a reintegração de Francisco. Segundo Bonfim, pessoas com transtorno de personalidade antissocial, como o de Francisco, são "incorrigíveis" e incapazes de desenvolver um juízo crítico sincero. Ele alertou que, fora da prisão, o serial killer poderia representar o mesmo perigo que no passado, e "poderá voltar a matar".

A mãe de Francisco vive um dilema que poucos conseguem imaginar: entre o amor incondicional por seu filho e o reconhecimento de sua periculosidade, Maria Helena reflete a complexidade de uma relação familiar devastada por crimes que impactaram o país. A libertação de Francisco, se acontecer, será uma decisão judicial cercada de controvérsia e receio, tanto para sua mãe quanto para a sociedade.

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