
Cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) foram afastados nesta quinta-feira (24/10), após a Polícia Federal (PF) revelar um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. A operação, batizada de Ultima Ratio, é resultado de investigações iniciadas em 2017 e 2021, e expôs uma rede de corrupção que envolvia também advogados, servidores públicos e empresários.
A investigação começou em 2017, com a Operação Lama Asfáltica, que investigava uma organização criminosa acusada de desviar R$ 235 milhões por meio de fraudes em licitações e superfaturamento de obras em Mato Grosso do Sul. Durante essa operação, interceptações telefônicas revelaram indícios de participação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MS), o que motivou o encaminhamento dos dados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com base nessas informações, em 2021, foi deflagrada a Operação Mineração de Ouro, cujo foco foi investigar o enriquecimento ilícito de conselheiros do TCE-MS. Durante as diligências, novos indícios surgiram, sugerindo a participação de desembargadores do TJMS em esquemas de venda de sentenças, o que levou à operação mais recente, a Ultima Ratio.
De acordo com a PF, os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Vladimir Abreu da Silva, Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel e Marco José de Brito Rodrigues, além de outros envolvidos, participavam de reuniões secretas com advogados, lobistas e servidores influentes para "negociar" sentenças favoráveis a determinadas partes. As decisões, em muitos casos, envolviam disputas de propriedades rurais milionárias, e o esquema incluía lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e extorsão.
Os cinco desembargadores estão afastados de seus cargos por um período inicial de 180 dias, utilizando tornozeleiras eletrônicas e proibidos de acessar órgãos públicos ou se comunicarem entre si. Além deles, foram afastados um conselheiro do TCE/MS, Osmar Domingues Jeronymo, e seu sobrinho, servidor do TJMS, Danillo Moyra Jeronymo. As investigações também envolvem advogados, empresários, um juiz de primeira instância e outros dois desembargadores aposentados.
Os envolvidos estão sendo investigados por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, extorsão e falsificação de escrituras públicas. Se condenados, podem enfrentar penas que variam de 12 a 30 anos de prisão, dependendo da gravidade de cada crime. Quanto ao futuro de seus cargos, a aposentadoria compulsória é uma possibilidade, mas o afastamento temporário com tornozeleira já sinaliza que a Justiça adotará medidas rigorosas contra os envolvidos.
O caso que levou à Operação Ultima Ratio é emblemático, pois expõe um dos mais graves esquemas de corrupção dentro do Poder Judiciário brasileiro, com a venda de sentenças abalando a credibilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O impacto vai além dos envolvidos, levantando questões sobre a integridade do sistema e a necessidade de reformas estruturais para evitar que figuras públicas se beneficiem do poder em benefício próprio.
O resultado desta investigação ainda está em aberto, mas é certo que a Operação Ultima Ratio marcará um capítulo importante na luta contra a corrupção no Brasil.






MEDIDAS CAUTELARES Justiça revoga prisão de empresário acusado de tentativa de homicídio em Teresina; entenda os fundamentos da decisão
TETO CONSTITUCIONAL STF voltou atrás nos penduricalhos? Entenda o que realmente está sendo julgado
PRISÃO PREVENTIVA Saiba quem é o homem preso por vender vídeos de sexo e que teve a prisão mantida pela Justiça Mín. 23° Máx. 32°