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Justiça JUSTIÇA CRIMINOSA

Operação Ultima Ratio: PF desvenda esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul

Cinco desembargadores são afastados por 180 dias após investigações revelarem envolvimento em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos em Mato Grosso do Sul

25/10/2024 às 10h33 Atualizada em 25/10/2024 às 10h53
Por: Douglas Ferreira Fonte: Metrópoles
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Entre os desembargadores envolvidos no crime de venda de sentença está o próprio presidente do TJMS - Foto: Arte de Michael Melo sobre fotos do TJMS, PF e TCE/MS
Entre os desembargadores envolvidos no crime de venda de sentença está o próprio presidente do TJMS - Foto: Arte de Michael Melo sobre fotos do TJMS, PF e TCE/MS

Cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) foram afastados nesta quinta-feira (24/10), após a Polícia Federal (PF) revelar um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. A operação, batizada de Ultima Ratio, é resultado de investigações iniciadas em 2017 e 2021, e expôs uma rede de corrupção que envolvia também advogados, servidores públicos e empresários.

O estopim das investigações: de Lama Asfáltica a Mineração de Ouro

A investigação começou em 2017, com a Operação Lama Asfáltica, que investigava uma organização criminosa acusada de desviar R$ 235 milhões por meio de fraudes em licitações e superfaturamento de obras em Mato Grosso do Sul. Durante essa operação, interceptações telefônicas revelaram indícios de participação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MS), o que motivou o encaminhamento dos dados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com base nessas informações, em 2021, foi deflagrada a Operação Mineração de Ouro, cujo foco foi investigar o enriquecimento ilícito de conselheiros do TCE-MS. Durante as diligências, novos indícios surgiram, sugerindo a participação de desembargadores do TJMS em esquemas de venda de sentenças, o que levou à operação mais recente, a Ultima Ratio.

Como atuavam os criminosos: um esquema bem orquestrado

De acordo com a PF, os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Vladimir Abreu da Silva, Alexandre Aguiar Bastos, Sideni Soncini Pimentel e Marco José de Brito Rodrigues, além de outros envolvidos, participavam de reuniões secretas com advogados, lobistas e servidores influentes para "negociar" sentenças favoráveis a determinadas partes. As decisões, em muitos casos, envolviam disputas de propriedades rurais milionárias, e o esquema incluía lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e extorsão.

Ações e consequências: quem está sendo julgado?

Os cinco desembargadores estão afastados de seus cargos por um período inicial de 180 dias, utilizando tornozeleiras eletrônicas e proibidos de acessar órgãos públicos ou se comunicarem entre si. Além deles, foram afastados um conselheiro do TCE/MS, Osmar Domingues Jeronymo, e seu sobrinho, servidor do TJMS, Danillo Moyra Jeronymo. As investigações também envolvem advogados, empresários, um juiz de primeira instância e outros dois desembargadores aposentados.

Crimes e punições: o que estão sujeitos?

Os envolvidos estão sendo investigados por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, extorsão e falsificação de escrituras públicas. Se condenados, podem enfrentar penas que variam de 12 a 30 anos de prisão, dependendo da gravidade de cada crime. Quanto ao futuro de seus cargos, a aposentadoria compulsória é uma possibilidade, mas o afastamento temporário com tornozeleira já sinaliza que a Justiça adotará medidas rigorosas contra os envolvidos.

Conclusão: corrupção no Poder Judiciário expõe falhas estruturais

O caso que levou à Operação Ultima Ratio é emblemático, pois expõe um dos mais graves esquemas de corrupção dentro do Poder Judiciário brasileiro, com a venda de sentenças abalando a credibilidade do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O impacto vai além dos envolvidos, levantando questões sobre a integridade do sistema e a necessidade de reformas estruturais para evitar que figuras públicas se beneficiem do poder em benefício próprio.

O resultado desta investigação ainda está em aberto, mas é certo que a Operação Ultima Ratio marcará um capítulo importante na luta contra a corrupção no Brasil.

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