
Existem homens que nascem em uma terra, constroem sua vida em outra e, ao longo da caminhada, acabam pertencendo à história das duas. Wellington Rocha Leitão foi um desses homens. Piauiense de Picos, onde nasceu em 29 de maio de 1941, levou o nome de sua terra natal para o Ceará, Estado onde construiu uma trajetória de destaque na advocacia criminal, na Defensoria Pública e no ensino jurídico.
Filho de Hélio das Chagas Leitão e Maria de Jesus Castelo Branco Rocha Leitão, Wellington cresceu e formou sua história em um período no qual a formação jurídica representava não apenas uma profissão, mas também uma responsabilidade intelectual e social. Ao longo da vida, fez do Direito o campo de sua atuação e da formação de novas gerações uma das marcas mais importantes de seu legado.
Casado com Silvia Maria Miranda Barreto Leitão, constituiu uma família de cinco filhos: Yveline, Wellington, Evandro, Hélio Winston e Carlos Henrique. A vida familiar caminhou paralelamente à carreira profissional, enquanto seu nome ganhava reconhecimento nos ambientes jurídicos e acadêmicos do Ceará.
Na advocacia criminal, Wellington Rocha Leitão dedicou-se a uma das áreas mais exigentes do Direito. A atuação criminal demanda conhecimento técnico, capacidade de argumentação, domínio processual e compreensão das garantias fundamentais. Mais do que o enfrentamento de processos, exige disposição para lidar com conflitos humanos nos quais liberdade, reputação e destino pessoal frequentemente estão em jogo.
Sua experiência profissional também se estendeu à Defensoria Pública do Ceará, instituição essencial à garantia do acesso à Justiça. A defesa jurídica de quem não dispõe de recursos para contratar um advogado particular integra uma das dimensões mais relevantes do Estado de Direito: a de que a proteção legal não deve ser privilégio de quem pode pagar por ela.
Foi, entretanto, no ambiente universitário que Wellington deixou uma contribuição institucional particularmente expressiva. Na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), ocupou diferentes posições de liderança acadêmica. Exerceu a chefia do Departamento de Direito Público, coordenou o curso, foi vice-diretor e chegou à direção da instituição.
Não se trata de uma sequência de cargos que possa ser resumida a títulos em um currículo. A passagem por essas funções revela uma presença prolongada na organização da vida universitária, na condução de atividades acadêmicas e na formação de profissionais destinados a atuar em diferentes áreas do sistema jurídico.
A Faculdade de Direito da UFC foi, assim, mais do que um local de trabalho. Tornou-se parte central de sua história profissional, espaço no qual exerceu a docência, participou da administração universitária e contribuiu para a continuidade de uma tradição jurídica consolidada no Ceará.
O reconhecimento de sua atuação ultrapassou as funções administrativas. Na turma 2003/2 da Faculdade de Direito da UFC, Wellington foi escolhido como professor homenageado. Em outra demonstração da ligação construída com os estudantes, ministrou a chamada aula da saudade da turma Octogenário, de 1983/1.
As homenagens estudantis possuem um significado próprio. Cargos podem ser conquistados por nomeação ou eleição; a lembrança de um professor, porém, também passa pela relação estabelecida em sala de aula, pela transmissão do conhecimento e pelas marcas deixadas na formação de quem aprende. Nesse aspecto, as distinções recebidas por Wellington ajudam a compreender a dimensão de sua presença acadêmica.
Em 10 de abril de 2003, durante as comemorações do centenário da Faculdade de Direito da UFC, recebeu homenagem da Assembleia Legislativa do Ceará. A distinção vinculou seu nome a uma celebração institucional de grande relevância para a história do ensino jurídico cearense.
No ano seguinte, em 2004, recebeu o Troféu Clóvis Beviláqua, concedido pela OAB Ceará. A homenagem, associada ao nome de uma das figuras históricas mais importantes do Direito brasileiro, representou outro reconhecimento à trajetória construída por Wellington no universo jurídico.
Sua memória também permaneceu presente nas instituições com as quais manteve vínculo. Em 2013, a OAB Ceará associou seu nome a uma sala de apoio à advocacia em uma unidade prisional, gesto que remete à sua atuação profissional e à importância dos espaços destinados ao exercício da defesa jurídica.
A trajetória de Wellington Rocha Leitão não pode ser compreendida apenas pela relação de cargos e homenagens. Sua contribuição está também na presença cotidiana de quem ensinou, orientou, participou da vida institucional e ajudou a preparar profissionais para os desafios da Justiça. O legado de um professor não termina com o encerramento de uma aula, assim como a influência de um advogado não se limita ao processo que defendeu.
A história da família Leitão também ganhou projeção na vida pública cearense por meio de uma nova geração. Evandro Sá Barreto Leitão, filho de Wellington Rocha Leitão e Silvia Maria Barreto Leitão, tornou-se uma das figuras de destaque da política do Ceará. Antes de chegar à Prefeitura de Fortaleza, onde exerce o mandato de 2025 a 2028 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), presidiu a Assembleia Legislativa do Estado no biênio 2023-2024 e cumpriu três mandatos consecutivos como deputado estadual.
Servidor público de carreira e auditor adjunto da Secretaria da Fazenda do Ceará, Evandro construiu seu próprio percurso na política e na administração pública. Sua história acrescenta um capítulo à trajetória de uma família cujas raízes remontam a Picos, no Piauí, e cuja presença se projetou no Ceará. Pai e filho seguiram caminhos profissionais distintos: Wellington, no Direito, na advocacia criminal e na formação universitária; Evandro, na vida parlamentar e na gestão municipal. São percursos próprios, unidos pela origem familiar e pela presença do sobrenome Leitão na história institucional cearense.
A ligação entre Piauí e Ceará constitui outro elemento significativo dessa trajetória. Wellington nasceu em Picos, mas encontrou no Ceará o ambiente em que desenvolveu grande parte de sua vida profissional e acadêmica. Sua história demonstra como os caminhos individuais podem ultrapassar fronteiras estaduais e contribuir para instituições que passam a integrar a própria identidade de uma região.
Wellington Rocha Leitão morreu em março de 2013, deixando uma trajetória vinculada à advocacia, à Defensoria Pública e à Universidade Federal do Ceará. Sua história permanece associada a uma geração de profissionais que fizeram do Direito não apenas um campo de atuação, mas também um espaço de ensino, responsabilidade institucional e serviço à sociedade.
Resgatar sua memória é reconhecer a importância daqueles que ajudam a construir instituições por dentro, com trabalho, conhecimento e dedicação. É também preservar a história de um piauiense que projetou sua trajetória no Ceará e deixou referências que ultrapassam o tempo de sua atuação.
Na série “Gigantes do Direito do Passado e do Presente”, Wellington Rocha Leitão ocupa um lugar próprio: o de um jurista cuja caminhada reuniu a prática da advocacia, a experiência na Defensoria Pública e a dedicação ao ensino superior. Uma história que merece ser lembrada não apenas pelos cargos que ocupou ou pelas homenagens que recebeu, mas pela contribuição que deixou na advocacia, no ensino jurídico e na memória daqueles que compartilharam sua caminhada.
OBS: Sugestão da pauta e colaborção, Dr. Celso Barros Coelho
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