
O Piauí continua sendo um dos principais redutos eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o resultado do primeiro turno das eleições de 2026 apresenta uma diferença importante em relação à votação registrada quatro anos atrás. O petista manteve praticamente o mesmo número absoluto de votos, mas perdeu participação percentual no eleitorado piauiense.
Em 2022, Lula recebeu 1.518.008 votos no Piauí, correspondentes a 74,25% dos votos válidos. Em 2026, foram 1.523.710 votos, ou 70,99%. Na prática, o petista acrescentou 5.702 votos ao resultado de quatro anos atrás, mas sua participação caiu 3,26 pontos percentuais.
A diferença fica mais evidente quando o desempenho de Lula é comparado ao principal adversário. Em 2022, Jair Bolsonaro havia obtido 19,90% dos votos válidos no estado. Agora, Flávio Bolsonaro alcançou 24,09%, com 517.028 votos. A distância entre Lula e o candidato do PL ficou em 46,90 pontos percentuais, ainda muito ampla, mas menor que a margem registrada entre Lula e Bolsonaro no primeiro turno de 2022.
Os números mostram um fenômeno que merece atenção. Lula não sofreu uma queda expressiva em seu eleitorado nominal no Piauí. Pelo contrário: passou de 1,518 milhão para 1,524 milhão de votos.
O que mudou foi a distribuição dos votos entre os demais candidatos.
Em 2026, Flávio Bolsonaro recebeu mais de 517 mil votos no estado, enquanto Bolsonaro havia obtido cerca de 407 mil em 2022. Isso representa um crescimento de aproximadamente 110 mil votos para o campo político representado pelo PL na comparação entre os primeiros turnos.
O resultado também mostra que Lula venceu nos 224 municípios piauienses, mantendo uma característica que marcou a eleição anterior. Mesmo assim, a redução da votação proporcional indica que a vantagem sobre a direita não é exatamente a mesma de quatro anos atrás.
A principal dificuldade para Lula no Piauí não está, neste momento, em uma ameaça de derrota no estado. Os números do primeiro turno mostram uma vantagem de mais de 1 milhão de votos sobre Flávio Bolsonaro.
O desafio está em manter essa vantagem e impedir uma nova redução da distância durante o segundo turno.
Isso ocorre porque o cenário nacional de 2026 é muito mais apertado do que o registrado em 2022. Lula e Flávio Bolsonaro avançaram para o segundo turno, mas Flávio terminou a primeira etapa com cerca de 47% dos votos válidos no país, contra 45% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Além disso, a eleição de 2026 registrou abstenção nacional de 21,08%, acima dos 20,79% de 2022. No Piauí, porém, a ausência dos eleitores ficou entre as menores do país.
Outro elemento importante para a campanha presidencial é o desempenho do PT no estado.
Rafael Fonteles foi reeleito governador no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, praticamente o mesmo percentual obtido por Lula na disputa presidencial. O resultado confirma a força eleitoral da legenda no estado e oferece ao presidente um importante palanque político para o segundo turno.
Ao mesmo tempo, a oposição também ampliou sua presença. Joel Rodrigues, principal adversário de Fonteles, terminou a disputa pelo governo com 27,54%, enquanto Flávio Bolsonaro chegou a 24,09% na eleição presidencial.
O resultado de 2026 permite identificar três pontos que deverão marcar a disputa presidencial no Piauí:
1. Manter os mais de 1,5 milhão de votos.
Lula praticamente repetiu seu desempenho nominal de 2022. A prioridade passa a ser evitar que parte desse eleitorado migre ou deixe de comparecer no segundo turno.
2. Conter o crescimento do PL.
A votação de Flávio Bolsonaro foi significativamente superior à obtida por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2022. A direita ampliou seu percentual no estado, ainda que permaneça distante do PT.
3. Preservar uma vantagem que diminuiu.
A queda de 74,25% para 70,99% não representa uma perda significativa de votos absolutos para Lula, mas mostra que sua margem proporcional sobre o adversário ficou menor.
O Piauí, portanto, continua sendo um território eleitoral favorável a Lula, mas 2026 apresenta uma fotografia diferente da de 2022. O petista mantém praticamente o mesmo tamanho de eleitorado, enquanto seu principal adversário ampliou a votação. Com a disputa nacional mais equilibrada, o segundo turno terá como uma das questões centrais justamente a capacidade de Lula de preservar no Piauí uma das maiores margens de vantagem do país.
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