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Política CRISE MASTER

O tsunami Vorcaro chega ao coração do poder

Caso Banco Master amplia a pressão sobre Brasília, enquanto revelações sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Davi Alcolumbre colocam o comando do Senado no centro da crise política.

30/09/2026 às 06h06
Por: Douglas Ferreira
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O amor de Alcolumbre com Vorcaro pode inviabilizar sua releição ao Senado - Foto: Reprodução
O amor de Alcolumbre com Vorcaro pode inviabilizar sua releição ao Senado - Foto: Reprodução

O “tsunami Daniel Vorcaro” e o caso Banco Master vêm provocando uma onda de investigações, prisões e revelações que alcançam empresários, operadores do mercado financeiro e personagens da política brasileira. Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso no âmbito das investigações, e seu pai, Henrique Vorcaro, também foi preso pela Polícia Federal, em maio deste ano, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero.

No campo político, a maré alta chegou a Brasília e passou a atingir o entorno da Praça dos Três Poderes. Revelações envolvendo relações entre Vorcaro e figuras de diferentes áreas do poder ampliaram a pressão sobre o Congresso, o Executivo e o Supremo Tribunal Federal.

A lama chegou à Praça dos Três poderes.

No Senado, um dos nomes mais expostos é o do presidente da Casa e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União/AP). Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e divulgadas pela imprensa mostram uma relação de proximidade entre os dois. Em uma das conversas, Alcolumbre chamou Vorcaro de “meu amor” e afirmou que ele seria seu “irmão para a vida toda”.

Alcolumbre nega qualquer ilegalidade e classificou as revelações como ataques e sensacionalismo. As mensagens, por si sós, demonstram proximidade pessoal, mas não comprovam, isoladamente, a prática de crime.

O problema político, porém, vai além das mensagens.

Alcolumbre enfrenta críticas de senadores da oposição pela condução de pautas relacionadas ao Banco Master e aos pedidos de impeachment de ministros do STF. Em março, um requerimento para criação de uma CPI do Banco Master chegou a reunir 53 assinaturas, número superior ao mínimo necessário, mas dependia da leitura em Plenário pelo presidente do Senado.

Sem clima

A atuação de Alcolumbre também é questionada por Eduardo Girão (Novo/CE), que vem cobrando a instalação do Conselho de Ética para analisar representação contra o presidente do Senado. Em pronunciamento oficial, Girão afirmou ter recorrido ao STF para garantir a instalação do colegiado e acusou Alcolumbre de omissão institucional.

O próprio Senado registra atualmente representação contra Alcolumbre no Conselho de Ética, apresentada em setembro de 2026 e ainda aguardando a designação dos membros da comissão responsável pela análise.

Mão que lava outra?

Setores da oposição sustentam que a resistência de Alcolumbre em dar andamento à CPI do Banco Master favoreceria pessoas e autoridades relacionadas ao caso. Essa é uma acusação política, e não uma conclusão comprovada pelas investigações.

O requerimento da CPI chegou a ter 53 assinaturas, e senadores recorreram ao Supremo para tentar destravar sua instalação. Posteriormente, o ministro Cristiano Zanin negou liminar que obrigaria o Senado a dar seguimento imediato ao pedido, afirmando que não havia comprovação suficiente de omissão de Alcolumbre, embora tenha solicitado mais informações ao Senado e à PGR.

Tragédia anunciada?

Alcolumbre foi eleito presidente do Senado em fevereiro de 2025, derrotando Marcos Pontes (PL/SP) e Eduardo Girão (Novo/CE), que obtiveram quatro votos cada. Seu mandato na Presidência da Casa termina em fevereiro de 2027.

Pontes e Girão estão entre os senadores que fazem oposição à condução de Alcolumbre e já participaram de movimentos para destravar a CPI do Banco Master. A eventual disputa pela sucessão da Presidência do Senado, portanto, começa a se misturar com a crise política provocada pelas revelações do caso Master.

Afronta à maioria?

Outro ponto de tensão está nos pedidos de impeachment de ministros do STF. Em setembro, o próprio Alcolumbre reconheceu a existência de 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros da Corte, embora tenha ressaltado que considerava esse número fora do normal.

O tema é uma prerrogativa constitucional do Senado, que tem competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Ao mesmo tempo, a tramitação desses pedidos depende dos procedimentos internos da Casa e da legislação específica.

O fato político é que Alcolumbre passou a enfrentar pressões simultâneas: de um lado, as revelações sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro; de outro, a cobrança de senadores por CPI, Conselho de Ética e análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

Se tudo isso já seria suficiente para produzir uma tempestade política, o calendário eleitoral acrescenta ainda mais pressão: em fevereiro de 2027, o Senado terá de escolher seu novo presidente.

E, até lá, o caso Banco Master promete continuar produzindo ondas em Brasília.

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