
O resultado das eleições de 6 de outubro expôs um desastre eleitoral para o Partido dos Trabalhadores (PT). Sem eleger nenhum prefeito de capital no primeiro turno e com perspectivas sombrias para o segundo turno, o partido, que já foi sinônimo de força nas urnas, parece estar enfrentando uma rejeição crescente do eleitorado. Mesmo em cidades onde o PT figura como vice, como no caso de São Paulo com Guilherme Boulos, as chances de vitória se mostram cada vez menores.
A questão que surge é: por que o partido do presidente Lula não consegue eleger prefeitos, mesmo com o líder mais popular da esquerda no poder? O cansaço do eleitorado com o discurso petista é evidente, e os resultados indicam que a imagem de Lula não é mais suficiente para garantir vitórias expressivas.
O caso de Fábio Novo, candidato do PT em Teresina, ilustra bem essa crise. Novo tentou emplacar a narrativa de que sua eleição seria um ganho para a cidade, alinhada com o governador Rafael Fonteles (PT) e o presidente Lula. No entanto, o eleitorado preferiu evitar o risco dessa incerteza. Em outras palavras, o apoio explícito de Lula e do PT tem sido mais um fardo do que uma vantagem, algo que há alguns anos seria inimaginável.
O impacto dessa derrota se estende além das eleições municipais. Se o PT continuar a perder espaço nas cidades, o que isso significará para a sucessão presidencial em 2026? Uma coisa é certa: a base de apoio de Lula está se fragmentando, e a ascensão do PL, que lidera em 23 cidades no segundo turno, indica que a direita, liderada por figuras como Jair Bolsonaro, ainda mantém uma forte presença no cenário político nacional.
A rejeição ao PT e à esquerda em geral nas eleições municipais pode ser um reflexo de uma mudança de humor do eleitorado brasileiro, que, saturado de promessas não cumpridas e escândalos passados, busca alternativas. E, se o segundo turno também resultar em derrotas para o partido, o caminho para 2026 será ainda mais desafiador para Lula e seus aliados.
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