
Ordens que partiram de cima? Eis a razão do resultado? Mas o que está transbordando? A percepção clara e inequívoca de que o aparelhamento foi feito de fato e de direito e não estão e nem estarão nem aí para a sociedade; o que importa é o poder pelo poder. Mas é aí que reside o problema. Além do alto número de pessoas que tendem a não comparecer; os poucos que comparecerão já sabem em que estão dispostos a votar.
Eis o que o dia de ontem provocou. Eis também a prova cabal: homens sem nenhum escrúpulo devem ser não somente evitados, mas se tornam a cada dia que passa mais temerosos, não somente ao Brasil, mas ao mundo. E isso afeta até mesmo a cristandade. Quem em sã consciência acredita ou acreditará ainda em sacerdotes que falam algo que não condiz com as suas vidas cotidianas? A condução do país é a mesma coisa? O povo cansou! Joelhos estão dobrados ao chão pedindo aos céus que novos dias e não apenas esperanças reacendam a chama do amor pela ética, pela moral e por tudo aquilo que o dinheiro não é capaz de comprar. Homens de honra estão escassos?
Desconfiem de tudo e de todos aqueles que “preferem assaltar geladeiras e se empanturrar” e pensam apenas em luxúria! Moço, o que dizem os noticiários do dia? "Em sessão fúnebre, ministros desmoralizam o Supremo", é o que traz em sua coluna Lauro Jardim, O Globo. A sessão do STF marcada para decidir se Alexandre de Moraes deveria ser investigado pelas suas relações com Daniel Vorcaro foi uma espécie de sessão fúnebre. No papel de morto estava o próprio Supremo. Ou o que deveria ser o Supremo.
Antes de mais nada, o que se viu foi um teatro com um enredo previsível. Em vez de discutir o que a pauta pedia, os ministros alinhados a Moraes trabalharam para cumprir um objetivo já pré-determinado por eles: tumultuar a sessão para no final pedir vista e adiar o julgamento. Era essa a estratégia desde sempre: usar o recurso regimental do pedido de vista para adiar a decisão.
Assim, Gilmar Mendes e Flávio Dino encenaram uma jogada ensaiada nos bastidores: um gritando para tumultuar o ambiente e o outro fingindo preocupação com a imagem e a credibilidade da Corte. A terça-feira também foi marcada pela desmoralização da presidência de Edson Fachin. Faltou pulso a Fachin, que agora perdeu o controle dessa discussão, ao menos no que diz respeito ao tempo: caberá a Flávio Dino decidir quando esse tema voltará ao plenário. E ele tem até 15 de dezembro para fazê-lo.
Agora, dentro de uma semana, está marcada uma nova sessão, com os mesmos atores no palco. E mais algum editorial do Estadão? Mais do que isso? "Lula não largou Moraes, e resultado no STF deixa sua campanha sangrando." Não havia desfecho positivo para o petista no julgamento, tamanho seu atrelamento político com Moraes; mas o adiamento impede Lula de pautar outros temas na campanha.
Eis o que traz a coluna de Roseann Kennedy. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tinha sido orientado a “largar a mão” de Alexandre de Moraes desde que começou a despencar nas pesquisas de intenção de voto, mas o distanciamento foi apenas cálculo eleitoral e, na prática, não ocorreu. Ao contrário disso, o governo e o PT agiram para indiretamente proteger o “herói” do julgamento do 8 de janeiro.
A estratégia foi desviar o foco das suspeitas sobre as relações de Moraes e Daniel Vorcaro, antagonizando o tema com a atuação do ministro André Mendonça. Para isso, os governistas contaram com duas frentes: no próprio Judiciário, com a ofensiva de Flávio Dino, fiel escudeiro de Lula, em ações contra Mendonça, e nas redes sociais, elevando o tom sobre o magistrado.
Ou seja, Lula apenas evitou elogios públicos a Moraes e, agora, sua campanha continuará sangrando diante da crise que se arrasta no STF. Em suma, todos se “afogarão juntos e devidamente abraçados”?
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