
Sim, Flávio Bolsonaro ultrapassou Lula numericamente na disputa presidencial. A diferença é de apenas dois pontos percentuais, exatamente o limite da margem de erro da pesquisa Quaest. Portanto, tecnicamente, os dois continuam empatados.
Mas reduzir o resultado a um simples “empate técnico” seria ignorar o que talvez seja o dado mais importante do levantamento: a direção dos movimentos.
Flávio aparece agora com 42%, contra 40% de Lula. Na pesquisa anterior, realizada uma semana antes, os dois tinham 41%. Ou seja, o senador do PL avançou um ponto, enquanto o presidente recuou um ponto.
É uma fotografia. Mas, em uma eleição, também é preciso observar o filme.
E o filme começa a chamar atenção.
Flávio vem em trajetória ascendente. Lula, ao menos neste recorte, perdeu terreno. A diferença ainda não permite falar em vantagem consolidada, muito menos em vitória antecipada. Mas já é suficiente para provocar uma mudança no discurso político.
A oposição interpreta o resultado como “a grande virada”.
A expressão pode ser politicamente conveniente, mas ainda seria precipitado tratá-la como fato consumado. Uma eleição presidencial não muda de mãos por causa de uma única pesquisa. O que existe, neste momento, é um sinal: o cenário que durante muito tempo parecia favorável a Lula começa a apresentar uma dinâmica diferente.
E é justamente essa dinâmica que deve preocupar o Palácio do Planalto.
No primeiro turno, Lula ainda lidera com 36%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 31%. O dado mais significativo, porém, está novamente na movimentação: Lula manteve os mesmos 36% da pesquisa anterior, enquanto Flávio subiu de 29% para 31%.
O senador, portanto, não apenas aparece numericamente à frente no segundo turno. Ele também cresce no primeiro.
Lula, por sua vez, não consegue ampliar sua pontuação. No segundo turno, ainda perdeu um ponto na comparação com o levantamento anterior.
Isso não significa que o presidente esteja derrotado. Longe disso.
Lula continua liderando o primeiro turno e possui uma base eleitoral expressiva. Além disso, o empate técnico no segundo turno mostra que a diferença entre os dois ainda está dentro da margem de erro.
Mas política eleitoral é também percepção.
E pesquisas ajudam a produzir percepção.
Para a campanha de Flávio, o resultado funciona como combustível. A prioridade agora será transformar uma vantagem numérica em vantagem estatística e, depois, em vantagem efetiva. Dois pontos ainda não significam liderança consolidada. São, por enquanto, um sinal de que a disputa pode estar mudando de eixo.
Para Lula, o alerta é igualmente evidente.
A campanha petista terá de reagir antes que uma oscilação se transforme em tendência. Se Flávio continuar crescendo e Lula continuar estagnado ou recuando, o empate técnico de hoje poderá deixar de ser empate amanhã.
É aí que está a importância política desta Quaest.
Não é apenas sobre os 42% de Flávio contra 40% de Lula.
É sobre quem está subindo, quem está descendo e quem conseguirá interromper esse movimento primeiro.
A eleição está longe de estar decidida. Mas a pesquisa mostra que o terreno eleitoral pode estar começando a se mover.
E, quando o terreno começa a se mover, quem está na frente precisa acelerar; quem está atrás precisa reagir.
A oposição já enxergou uma virada.
O governo, agora, terá de provar que foi apenas uma curva no caminho.
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