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Economia PESADELO EÓLICO

Eólica à deriva: prejuízo bilionário expõe crise de infraestrutura e paralisa novos investimentos no Brasil

A falha na transmissão de energia eólica no Nordeste revela a fragilidade estrutural do setor e ameaça o futuro das energias renováveis no país

15/10/2024 às 11h44
Por: Douglas Ferreira
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Um sonho que virou pesadelo - Foto: Reprodução
Um sonho que virou pesadelo - Foto: Reprodução

O que parecia ser um sonho promissor para o setor de energia eólica no Brasil transformou-se em um pesadelo financeiro. Grandes empresas do setor, que operam principalmente na região Nordeste, já contabilizam um rombo de R$ 1,4 bilhão, obrigando a suspensão de investimentos bilionários e expondo as profundas fragilidades da infraestrutura energética do país. A promessa de uma matriz limpa e sustentável, impulsionada pelos ventos da região, esbarra agora em uma realidade técnica e operacional que não acompanha o crescimento da demanda.

O que está por trás da crise?

A origem do problema não está apenas nos ventos, mas sim na incapacidade do sistema elétrico brasileiro de transmitir a energia gerada pelos parques eólicos. Atrasos na construção de linhas de transmissão e subestações comprometem a entrega da energia produzida, levando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a impor limites ao que pode ser gerado. Para piorar, quando as empresas não conseguem entregar o volume prometido, elas precisam comprar energia no mercado — geralmente de usinas térmicas, mais caras —, ampliando ainda mais seus prejuízos.

Executivos do setor, como Robert Klein, presidente da Voltalia para América Latina, destacam que o impacto financeiro é devastador. A Voltalia, por exemplo, teve 80% de sua potência cortada, resultando em um prejuízo de R$ 111,2 milhões entre janeiro e setembro de 2024. Sem caixa, empresas como CPFL e EDP relatam perdas semanais de milhões de reais e já falam abertamente sobre calotes em cascata.

O futuro incerto da energia renovável no Brasil

Essa crise afeta diretamente o futuro das energias renováveis no Brasil. Empresas estão congelando novos investimentos, travando um setor que, até pouco tempo atrás, era visto como a grande esperança para a matriz energética do país. Com uma carteira de R$ 5 bilhões em projetos, a Voltalia é uma das que pisaram no freio, sinalizando que o Brasil pode perder a corrida por liderar a transição energética global se a situação persistir.

Enquanto isso, o ONS argumenta que as limitações são necessárias para garantir a segurança do sistema, diante de variações de tensão na rede. Contudo, essa postura tem sido duramente criticada pelas empresas, que se veem punidas por problemas alheios às suas operações.

A quem interessa a inércia?

O impasse entre as empresas e o governo já foi parar na Justiça. As companhias alegam que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deveria reconhecer a crise como um fator externo e permitir que os prejuízos fossem pagos por meio de encargos repassados à conta de luz, mas a agência resiste à ideia. Enquanto isso, o Sudeste, em plena crise hídrica, queima óleo para gerar energia, enquanto o Nordeste, que tem sobra de geração, não consegue entregar.

A falta de uma solução rápida e eficiente para esse problema coloca em xeque a credibilidade do Brasil como um destino atraente para investimentos em energia limpa. O setor eólico, que já foi um exemplo global, agora enfrenta um risco iminente de destruição, com a confiança dos investidores despencando a cada dia.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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