
A atitude do advogado paulista, João Manoel Armôa Junior, que participou de uma audiência virtual sem camisa, não só denota uma grave falta de respeito à magistrada, mas também afronta o rito processual e a seriedade do Direito. A tecnologia, quando usada adequadamente, serve para facilitar a vida de profissionais e cidadãos, especialmente em contextos judiciais. No entanto, há quem abuse dessa comodidade, como ficou evidente neste caso.
O cenário absurdo de um advogado participando da audiência sentado em um veículo na praia, sem camisa, expõe a falta de decoro e responsabilidade. Essa ação ultrapassa os limites de uma simples falha de etiqueta; é um reflexo de uma postura inconsequente que ignora o respeito mínimo que se espera dentro de um tribunal, mesmo que virtual.
A juíza, ao expressar que "é o fim" e ao encerrar a sessão, agiu com propriedade e demonstrou a gravidade da situação. Não é apenas uma questão de vestimenta, mas de desrespeito às formalidades legais e à dignidade da Justiça. O despacho com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi uma resposta necessária, pois esse comportamento requer investigação e possíveis sanções.
"Me perdoe", disse João Manoel Armôa Junior ao ser repreendido pela magistrada. O advogado alegou que estava afastado por motivos médicos e que acreditava estar apenas respondendo a um escrevente. De fato, ele até apresentou atestado onde o médico atesta que João Manoel encontrava-se em crise nenal. Mas, o que faz em ambiente supostamente de praia um paciente renal? Por outro lado, se de fato estava na praia, além de sem camisa pode ter participado da audiência com a juíza também de calção ou sunga.
Fato é, que nada justifica a atitude negligente, especialmente quando o procedimento judicial exige seriedade em todas as circunstâncias. Se existe algum erro na comunicação do convite para a audiência, ele deveria ter informado a magistrada previamente, e não comparecido de forma inadequada.
O caso não é isolado. Lembranças de outros episódios, como o ministro do STJ em uma sessão virtual de cueca, mostram que a desmoralização do Judiciário está se tornando frequente em diferentes esferas. Isso prejudica a imagem da Justiça e fragiliza o respeito pelos ritos processuais.
A pergunta que não quer calar é: onde está o limite para esses abusos de formalidade? A Justiça é uma instituição que deve ser preservada com dignidade, independentemente de avanços tecnológicos. O uso de ferramentas digitais não deve servir como justificativa para a falta de respeito e seriedade que se exige de qualquer profissional do Direito.
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