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Nobel da Paz de 2024 vai para Nihon Hidankyo

A organização japonesa, que representa os hibakushas, é homenageada por seus esforços em criar um mundo livre de armas nucleares

11/10/2024 às 16h45
Por: Wagner Albuquerque
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O japonês Kido Suechi, sobrevivente nuclear de 82 anos e secretário-geral da “Nihon Hidankyo” (confederação japonesa de vítimas das bombas A e H) fala durante a Conferência de Viena de 2022 - Foto: JOE KLAMAR/AFP
O japonês Kido Suechi, sobrevivente nuclear de 82 anos e secretário-geral da “Nihon Hidankyo” (confederação japonesa de vítimas das bombas A e H) fala durante a Conferência de Viena de 2022 - Foto: JOE KLAMAR/AFP

A organização japonesa Nihon Hidankyo, formada por sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2024 nesta sexta-feira (11/10). O Comitê Norueguês do Nobel destacou o trabalho da organização “por seus esforços em alcançar um mundo livre de armas nucleares”, reconhecendo a importância dos depoimentos dos “hibakushas” – como são chamados os sobreviventes das explosões – para conscientizar o mundo sobre os horrores causados por essas armas.

Fundada nos anos 1950, a Nihon Hidankyo tem como objetivo principal a eliminação total das armas nucleares, além de buscar reparações e assistência aos sobreviventes dos ataques atômicos no Japão. O Comitê Norueguês ressaltou que a organização contribuiu significativamente para a criação do “tabu nuclear”, estigmatizando o uso dessas armas como moralmente inaceitável e alertando para os riscos globais de uma guerra nuclear.

O Nobel da Paz é concedido anualmente a indivíduos ou organizações que promovem a fraternidade entre as nações e a abolição de armas. Este ano, a Nihon Hidankyo foi escolhida entre 286 indicados, incluindo 89 organizações. O comitê justificou sua escolha destacando que “os hibakushas nos ajudam a descrever o indescritível e a compreender o sofrimento incompreensível causado pelas armas nucleares”.

O prêmio deste ano ocorre em meio a um contexto global de escalada de conflitos armados. Em 2023, havia 59 conflitos em andamento no mundo, segundo o Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala. Isso quase dobrou em comparação com 2009. Diante desse cenário, especulava-se que o Comitê Nobel poderia optar por não premiar ninguém, algo que já aconteceu 19 vezes desde a criação do prêmio em 1901.

A Nihon Hidankyo foi criada em 1956, inicialmente para pressionar o governo japonês a fornecer apoio aos sobreviventes dos bombardeios. Além disso, a organização sempre defendeu a abolição total das armas nucleares, atuando contra os testes nucleares realizados pelas grandes potências. Seus objetivos incluem a prevenção de uma nova guerra nuclear e a assinatura de um tratado internacional que proíba essas armas.

A entrega do prêmio em 2024 é especialmente simbólica, uma vez que, no próximo ano, o mundo lembrará os 80 anos dos ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki. Estima-se que dezenas de milhares de pessoas morreram instantaneamente, e muitas mais sofreram com os efeitos da radiação nos anos seguintes. As armas nucleares atuais são ainda mais potentes, e o Comitê Nobel alertou que uma guerra nuclear poderia “destruir nossa civilização”.

Ao longo de sua história, o Prêmio Nobel da Paz já foi entregue 105 vezes a 142 vencedores. Entre eles, estão 111 indivíduos e 28 organizações. A Nihon Hidankyo se junta a uma lista de ganhadores que incluem figuras controversas, como o ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger.

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