
O Hospital São Marcos, principal referência no tratamento oncológico no Piauí, voltou a fazer um alerta sobre a grave crise financeira que ameaça a continuidade de seus serviços. Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (7), a direção da instituição informou que necessita de um aporte adicional de R$ 4 milhões por mês, além dos recursos atualmente recebidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para garantir o funcionamento pleno de suas atividades.
O diretor técnico do hospital, Marcelo Martins, apresentou um panorama da situação financeira da unidade e explicou que os custos para manter a assistência aos pacientes superam, há bastante tempo, os valores repassados pelo poder público. Segundo ele, a instituição vem adotando medidas para preservar o atendimento, especialmente daqueles que já estão em tratamento contra o câncer.
A direção destacou que a prioridade absoluta é evitar qualquer interrupção na assistência aos pacientes oncológicos, embora reconheça que a situação financeira chegou a um ponto considerado crítico.
Durante a coletiva, o Hospital São Marcos também distribuiu um relatório detalhando sua realidade financeira. No documento, a administração faz questão de esclarecer que as dificuldades enfrentadas pela instituição não decorrem de falhas de gestão, mas da insuficiência dos recursos destinados ao custeio da assistência.
Atualmente, o hospital recebe aproximadamente R$ 6 milhões mensais provenientes do Sistema Único de Saúde, recursos divididos entre o Governo Federal e a Prefeitura de Teresina. Além disso, conta com um repasse de R$ 900 mil da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi).
Segundo a direção, entretanto, esse volume de recursos já não acompanha o crescimento dos custos hospitalares, especialmente em uma unidade altamente especializada, responsável pelo atendimento de pacientes de praticamente todos os municípios piauienses.
A situação reacende um debate que há anos preocupa profissionais da saúde e entidades médicas: o financiamento da alta complexidade no Brasil. Hospitais filantrópicos que atendem majoritariamente pelo SUS enfrentam dificuldades crescentes para equilibrar receitas e despesas, sobretudo diante da defasagem da tabela de procedimentos e do aumento constante dos custos com medicamentos, equipamentos, insumos e pessoal.
No caso do Hospital São Marcos, a preocupação ganha dimensão ainda maior por se tratar da principal estrutura de tratamento oncológico do estado. Qualquer redução na capacidade de atendimento pode afetar diretamente milhares de pacientes que dependem exclusivamente do SUS.
O alerta feito pela direção da instituição também amplia a pressão sobre os gestores públicos. A crise financeira do hospital coloca em evidência a necessidade de uma discussão urgente sobre o modelo de financiamento da saúde de alta complexidade e sobre a responsabilidade compartilhada entre União, Estado e municípios para garantir a continuidade de um serviço considerado essencial.
Enquanto busca alternativas para equilibrar as contas, o Hospital São Marcos mantém o compromisso de preservar o atendimento aos pacientes. Mas o recado deixado pela direção é claro: sem um reforço financeiro permanente, a sustentabilidade da instituição continuará ameaçada, colocando em risco um dos mais importantes patrimônios da saúde pública do Piauí.
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