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PT aposta no esquecimento para enfrentar novo escândalo envolvendo vereador preso

Prisão do vereador Senival Moura reacende críticas sobre a postura do partido diante de filiados investigados ou presos. Até o momento, a legenda anunciou apenas o encaminhamento do caso à Comissão de Ética

27/06/2026 às 13h13
Por: Douglas Ferreira
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O sorriso da impunidade do vereador petista Senival Moura, preso acusado de lavar dinheiro para o PCC - Foto: Reprodução
O sorriso da impunidade do vereador petista Senival Moura, preso acusado de lavar dinheiro para o PCC - Foto: Reprodução

Quando o crime bate à porta da política, o silêncio também vira notícia

A política brasileira tem um velho costume. Estoura um escândalo, a Polícia faz operação, a Justiça decreta prisão, aparecem gravações, documentos, investigações... e logo começa outro espetáculo: o da conveniência. Tem partido que fala grosso quando o problema é do adversário, mas afina a voz quando o investigado veste sua própria camisa.

É como diz o sertanejo: pimenta no olho dos outros é refresco.

A prisão do vereador petista Senival Moura, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, reacende um debate que vai muito além de um único partido. A pergunta que fica é simples: quando um agente político é alvo de acusações graves, qual deve ser a reação imediata da legenda? Afastamento? Expulsão? Ou esperar a poeira baixar?

O PT informou que encaminhará o caso à Comissão de Ética. Juridicamente, é um procedimento previsto. Politicamente, porém, a demora abre espaço para críticas de adversários, que acusam a legenda de agir de forma diferente conforme o investigado.

E o problema não se resume a um único estado. Nos últimos anos, operações policiais e investigações atingiram vereadores, prefeitos e outros agentes públicos em diferentes regiões do país, incluindo estados do Nordeste, como Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão e Piauí. Cada caso possui suas particularidades e não significa, por si só, responsabilidade de partidos inteiros, mas revela um fenômeno preocupante: a crescente presença do crime organizado em investigações envolvendo agentes políticos e estruturas públicas.

O alerta é sério. O avanço de facções criminosas não ameaça apenas a segurança pública. Quando surgem suspeitas de infiltração na política, o risco passa a atingir a própria democracia. Câmaras Municipais, prefeituras e outros espaços de poder não podem servir de porta de entrada para interesses criminosos.

Combater esse problema exige investigações independentes, punição quando houver condenação e responsabilidade institucional dos partidos. Afinal, quem pede o voto do eleitor também precisa responder com rapidez quando um de seus representantes passa a responder por acusações dessa gravidade.

No fim das contas, o brasileiro está cansado de ver escândalos virarem manchete por alguns dias e depois desaparecerem da memória política. O combate ao crime organizado não pode depender da cor da bandeira partidária. Deve ser um compromisso de todos os partidos e de todas as instituições.

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