
A política tem dessas coisas. Nem sempre quem está em baixa está derrotado. E nem sempre quem lidera pesquisas está eleito. Mas uma coisa é certa: ninguém chega a uma disputa presidencial carregando um índice de desconfiança de 56% sem sentir o peso da bagagem.
Pois é exatamente esse o cenário enfrentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na caminhada rumo ao que pode ser seu quarto mandato presidencial.
Segundo pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta semana, 56% dos brasileiros afirmam não confiar em Lula. Apenas 41% dizem confiar no presidente. O dado chama atenção porque a desconfiança permanece praticamente congelada há nove meses, revelando um desgaste persistente da imagem presidencial.
E não se trata apenas de rejeição administrativa. É algo mais profundo. Trata-se de credibilidade.
Afinal, governar com metade do país desaprovando já é complicado. Governar com mais da metade dizendo que não confia em você é um desafio ainda maior.
Mesmo assim, Lula segue demonstrando confiança. Nos bastidores do PT, a avaliação é de que a eleição de 2026 continua plenamente viável. O presidente aposta na força da máquina pública, nos programas sociais, na recuperação econômica e, sobretudo, na ausência de um adversário que consiga unificar completamente a oposição.
Mas os números continuam ali. Frios. Impiedosos.
Entre os que mais desconfiam de Lula estão os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro, os evangélicos, os moradores do Sudeste, pessoas com ensino superior e brasileiros de renda mais elevada.
Já os maiores índices de confiança aparecem entre nordestinos, beneficiários de programas sociais, pessoas de menor renda, idosos e eleitores que já apoiaram Lula anteriormente.
O retrato revela um país dividido. Muito dividido.
E talvez aí esteja a principal aposta do petista. Lula sabe que nunca precisou ser unanimidade para vencer eleição. Pelo contrário. Suas vitórias sempre foram construídas em meio à polarização.
O problema é que, desta vez, o cenário parece mais difícil. A economia cresce menos do que o governo gostaria, a popularidade oscila, a inflação ainda incomoda parte da população, os juros nas alturas e a sensação de desgaste natural de quem está há décadas no centro da política brasileira já não pode ser ignorada.
Ainda assim, quem conhece Lula sabe que ele jamais entra numa eleição pensando em perder.
A questão que começa a dominar os bastidores de Brasília é outra: a confiança do presidente em si mesmo será suficiente para superar a desconfiança da maioria dos brasileiros?
A resposta virá nas urnas.
Até lá, Lula segue marchando rumo à tentativa de um quarto mandato. Confiante como sempre. Mas carregando um dado que nenhum marqueteiro consegue esconder: hoje, segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros afirma não confiar nele.
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