
Líder que é líder lidera. E, gostem ou não, é assim que o governador Rafael Fonteles tem conduzido o PT e os partidos que compõem a base do governo. No fim das contas, toda decisão importante passa, de uma forma ou de outra, pelo Palácio de Karnak. Umas chegam pela porta da frente. Outras pelos corredores da articulação política. Mas chegam.
E foi exatamente isso que aconteceu na definição da primeira suplência da candidatura de Júlio César de Carvalho Lima ao Senado.
O PT botou "catinga" na tentativa do senador e ministro Wellington Dias de emplacar a filha, Iasmin Dias, na vaga. A resistência dentro da própria legenda cresceu, ganhou corpo e virou um problema político que ameaçava transformar uma simples indicação em mais uma crise doméstica do partido.
Iasmin percebeu o cenário. Não sentiu terra firme nos pés. Teve a ombridade de recuar e retirou seu nome da disputa.
A partir daí, o PT fez o que costuma fazer quando decide encerrar uma pendenga interna: fechou questão.
O nome escolhido foi o da ex-vereadora Rosário Bezerra, figura histórica da legenda, respeitada pelas diversas correntes petistas e capaz de unir grupos que vinham se estranhando nos bastidores.
Faltava apenas a palavra final.
E ela veio.
Rafael Fonteles deixou claro que seguiria a decisão do partido sem criar qualquer tipo de embaraço. Disse que é "obediente" às deliberações da legenda e recebeu a indicação de Rosário com entusiasmo.
Na prática, a declaração teve um peso político muito maior do que parece.
Ao respaldar a escolha, Rafael ajudou a encerrar o debate, pacificou a base e sinalizou que o assunto está resolvido.
Traduzindo para o português do Piauí: quem esperava reabrir a discussão ficou falando sozinho.
O governador também fez questão de destacar os atributos políticos de Rosário Bezerra. Ressaltou sua trajetória de luta, sua identificação com as pautas sociais, a representatividade feminina e negra e a capacidade de agregar valor à candidatura de Júlio César.
E aí está o principal efeito político da decisão.
Júlio César ganha uma companheira de chapa com identidade petista.
O PT preserva a unidade interna.
Rafael reafirma sua liderança dentro da base governista.
E Wellington Dias recebe um recado que ecoou pelos corredores da política piauiense: influência continua tendo, mas a palavra final já não depende apenas dele.
O episódio mostrou que o PT ainda escuta Wellington Dias. Mas também mostrou que não obedece automaticamente.
No final das contas, a conta fechou.
Rosário Bezerra virou a primeira suplente.
Júlio César ficou com a chapa completa.
E Rafael Fonteles saiu mais uma vez como o fiador do entendimento entre os aliados.
Na política, nem sempre vence quem fala mais alto.
Muitas vezes vence quem consegue colocar todo mundo na mesma mesa e fazer a banda tocar no mesmo ritmo.
E foi exatamente isso que aconteceu dessa vez.
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