
A falta de papel higiênico em diversas lojas dos Estados Unidos está gerando um déjà-vu da crise de abastecimento vivida durante a pandemia. Apesar de muitos acreditarem que a escassez seja resultado da greve nos portos americanos, que começou na terça-feira (2), especialistas afirmam que o problema está relacionado ao pânico entre os consumidores, que começaram a estocar o produto em massa.
Relatos de prateleiras vazias foram amplamente compartilhados nas redes sociais, com usuários publicando fotos de grandes lojas como Walmart e Costco sem papel higiênico. Alguns consumidores associaram a falta ao impacto da greve portuária, temendo uma interrupção no fornecimento de bens essenciais. Um funcionário do Costco em Nova Jersey confirmou que o papel higiênico havia se esgotado rapidamente na manhã de terça-feira.
No entanto, a American Forest and Paper Association, que representa fabricantes de papel nos EUA, explicou que a greve dos portos não afeta diretamente a produção ou o fornecimento de papel higiênico. Mais de 90% desse produto é fabricado internamente, e as importações, vindas principalmente do Canadá e do México, chegam por trem ou caminhão, sem depender dos portos atualmente paralisados.
O impacto da greve deverá ser sentido principalmente em produtos perecíveis, como as bananas, que são importadas quase integralmente para o mercado norte-americano. Dados da American Farm Bureau indicam que mais da metade das bananas consumidas nos EUA chega pelos portos afetados, especialmente em Wilmington, Delaware, elevando a preocupação com uma possível escassez da fruta nos supermercados.
Diferentemente dos alimentos perecíveis, o papel higiênico tem um longo prazo de validade, e qualquer estoque adquirido hoje pode durar anos. Mesmo que a greve portuária se prolongue, o abastecimento de papel higiênico não será comprometido. Contudo, a reação exagerada dos consumidores continua a ser um fator importante, reacendendo memórias do comportamento observado durante os primeiros meses da pandemia de 2020.
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