
Pesquisa eleitoral não elege ninguém. Quem decide uma eleição é o voto depositado na urna. Essa continua sendo a regra básica de qualquer democracia. No entanto, as pesquisas possuem enorme peso político, influenciam estratégias de campanha, movimentam os bastidores e ajudam a construir percepções junto ao eleitorado.
O problema começa quando institutos diferentes apresentam resultados completamente opostos em intervalos de tempo muito curtos, sem que exista um fato político extraordinário capaz de justificar mudanças tão bruscas na opinião pública.
É exatamente isso que está acontecendo na corrida presidencial de 2026.
Na terça-feira (9), uma pesquisa do Instituto Gerp apontou vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O levantamento mostrava um cenário favorável ao senador, reforçando a percepção de crescimento do principal nome da oposição nacional.
Menos de 24 horas depois, a pesquisa Genial/Quaest apresentou um quadro praticamente inverso. O levantamento mostrou Lula liderando um eventual segundo turno com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, a Quaest registrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 29%.
Diante de números tão distintos, surge uma pergunta inevitável: o que explica tamanha diferença?
A resposta passa por diversos fatores. Cada instituto utiliza metodologias próprias, amostragens diferentes, recortes regionais distintos e critérios específicos para a seleção dos entrevistados. Além disso, a formulação das perguntas também pode influenciar os resultados obtidos.
Essa discussão ganhou ainda mais força após a recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral que suspendeu a divulgação de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. O ministro Kassio Nunes Marques identificou indícios de possível indução dos entrevistados por meio do questionário aplicado. A decisão não concluiu pela irregularidade definitiva da pesquisa, mas considerou que existiam elementos suficientes para justificar a suspensão cautelar até uma análise mais aprofundada da metodologia utilizada.
O episódio trouxe novamente à tona um tema sensível: até que ponto determinados questionários podem influenciar a resposta do eleitor?
O histórico recente mostra que esse debate não é mera teoria.
Nas eleições municipais de 2024 em Teresina, diversos institutos apontavam vitória de Fábio Novo ainda no primeiro turno. Alguns levantamentos chegaram a indicar uma vantagem confortável do candidato petista.
Quando as urnas foram abertas, porém, a realidade foi completamente diferente.
Sílvio Mendes venceu a eleição ainda no primeiro turno, contrariando boa parte das pesquisas divulgadas ao longo da campanha. O resultado transformou-se em um dos exemplos mais citados por quem questiona a precisão de determinados levantamentos eleitorais.
É justamente por situações como essa que muitos analistas recomendam cautela.
Pesquisas são importantes instrumentos de aferição da opinião pública, mas representam apenas o retrato de um determinado momento. Não substituem a vontade popular expressa nas urnas nem podem ser interpretadas como previsão definitiva do resultado eleitoral.
Por isso, mais importante do que observar um único levantamento é acompanhar tendências, comparar diferentes institutos e analisar a consistência dos números ao longo do tempo.
Enquanto isso, permanece a dúvida que ecoa entre eleitores, candidatos e observadores da cena política: quando uma pesquisa aponta vitória de um candidato e outra mostra exatamente o contrário, qual delas está mais próxima da realidade?
A resposta, como sempre acontece em uma democracia, será dada exclusivamente pelo eleitor no dia da votação.
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