
Quando o ministro da Defesa, José Múcio, reclama da precarização das Forças Armadas, ele não está fazendo figuração. Quando alerta para a fragilidade da defesa nacional, muito menos.
O problema é que, no Brasil, defesa só vira assunto quando acontece uma crise. Enquanto está tudo aparentemente tranquilo, o tema vai sendo empurrado para o fim da fila das prioridades.
E é justamente aí que mora o perigo.
O governo Lula 3 acaba de contingenciar R$ 4,3 bilhões do orçamento da Defesa. Desse montante, cerca de R$ 1,5 bilhão atingem diretamente o Exército Brasileiro. Resultado: operações de monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras foram suspensas.
Sim. Suspensas.
Logo agora, quando o crime organizado se fortalece, amplia sua atuação e transforma regiões inteiras da fronteira em corredores do tráfico de drogas, contrabando, garimpo ilegal e toda sorte de atividades criminosas. Até parece um ato intencional. Não é atoa que a oposição acusa o governo de jogar com o narcotráfico.
A pergunta é inevitável: se não é agora a hora de reforçar a vigilância, vai ser quando?
O mais curioso é que o governo costuma justificar os cortes pela necessidade de equilíbrio fiscal. Tudo bem. Contas públicas precisam ser administradas com responsabilidade. O problema é que, quase sempre, a tesoura parece escolher os mesmos alvos.
Corta na saúde. Corta na educação. Corta na pesquisa. Corta na segurança. Corta na defesa.
Parece até perseguição.
E o mais intrigante é que raramente se vê o mesmo entusiasmo quando o assunto é enxugar estruturas burocráticas, reduzir desperdícios ou revisar gastos menos essenciais. Os excessos em viagens por exemplo, precisam ser revistos. O festival de vôos em jatinhos da FAB com apenas uma "autoridade" a bordo, são gastos desnecessários.
A operação Ágata, por exemplo, conduzida pelo Exército nas regiões de fronteira, apreendeu neste ano mais de 15 toneladas de drogas, neutralizou dezenas de dragas do garimpo ilegal e interrompeu diversas atividades criminosas. Será essa a razão do contingenciamento no Ministério da Defesa?
Traduzindo para o português bem claro: estava funcionando. Mas aí vem o corte de verba.
E o que acontece quando o Estado recua?
O crime avança.
Não existe espaço vazio em fronteira. Quando o poder público sai, alguém ocupa o lugar. E normalmente não é um escoteiro distribuindo bons conselhos.
Enquanto isso, o governo brasileiro contesta a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas feita pelos Estados Unidos. Pode haver divergências jurídicas, diplomáticas ou conceituais sobre a nomenclatura. Mas uma coisa é inegável: estamos falando de organizações criminosas cada vez mais estruturadas, armadas, perigosas e financeiramente poderosas.
E justamente nesse cenário o país decide reduzir recursos para quem está na linha de frente do combate. É como economizar no cadeado quando os ladrões já estão pulando o muro.
Defesa nacional não é luxo. Segurança de fronteira não é capricho. Presença militar em áreas estratégicas não é gasto supérfluo.
Tudo isso é investimento na soberania do país.
O mais preocupante é perceber que a lógica parece se repetir. Sempre que surge a necessidade de apertar o cinto, áreas essenciais acabam entrando na mira primeiro.
E depois todo mundo se espanta quando faltam médicos, faltam professores, faltam pesquisadores ou faltam operações de combate ao crime.
Não existe milagre administrativo.
Quando se corta continuamente em setores estratégicos, o resultado aparece cedo ou tarde.
E a conta, como sempre, acaba chegando para a população. Porque o tráfico não tira férias. O contrabando não entra em recesso. O crime organizado não respeita contingenciamento.
Mas, pelo visto, o orçamento da defesa precisa respeitar.
LULA XENOFÓBICO? Guerra política esquenta: Jorginho acusa Lula de xenofobia e leva caso à PGR
FLÁVIO X LULA PT e PL lideram ações no TSE e mostram que a disputa eleitoral também será travada nos tribunais
O SOL E DE TODOS Joel Rodrigues promete extinguir a “taxa do sol” se for eleito governador do Piauí Mín. 23° Máx. 32°