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Política OPERAÇÃO ÁGATA

Quando o governo corta a defesa, quem agradece é o crime organizado

Contingenciamento de R$ 4,3 bilhões atinge as Forças Armadas, suspende operações estratégicas nas fronteiras e reacende o debate sobre a falta de prioridade do governo em áreas essenciais como segurança, defesa, saúde, educação e pesquisa

08/06/2026 às 10h00
Por: Douglas Ferreira
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Forças Armadas em ação da Operação Ágata no coração da Amazônia - Foto: Reprodução
Forças Armadas em ação da Operação Ágata no coração da Amazônia - Foto: Reprodução

O governo corta onde não devia e a conta chega na fronteira

Quando o ministro da Defesa, José Múcio, reclama da precarização das Forças Armadas, ele não está fazendo figuração. Quando alerta para a fragilidade da defesa nacional, muito menos.

O problema é que, no Brasil, defesa só vira assunto quando acontece uma crise. Enquanto está tudo aparentemente tranquilo, o tema vai sendo empurrado para o fim da fila das prioridades.

E é justamente aí que mora o perigo.

O governo Lula 3 acaba de contingenciar R$ 4,3 bilhões do orçamento da Defesa. Desse montante, cerca de R$ 1,5 bilhão atingem diretamente o Exército Brasileiro. Resultado: operações de monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras foram suspensas.

Sim. Suspensas.

Logo agora, quando o crime organizado se fortalece, amplia sua atuação e transforma regiões inteiras da fronteira em corredores do tráfico de drogas, contrabando, garimpo ilegal e toda sorte de atividades criminosas. Até parece um ato intencional. Não é atoa que a oposição acusa o governo de jogar com o narcotráfico.

A pergunta é inevitável: se não é agora a hora de reforçar a vigilância, vai ser quando?

O mais curioso é que o governo costuma justificar os cortes pela necessidade de equilíbrio fiscal. Tudo bem. Contas públicas precisam ser administradas com responsabilidade. O problema é que, quase sempre, a tesoura parece escolher os mesmos alvos.

Corta na saúde. Corta na educação. Corta na pesquisa. Corta na segurança. Corta na defesa.

Parece até perseguição.

E o mais intrigante é que raramente se vê o mesmo entusiasmo quando o assunto é enxugar estruturas burocráticas, reduzir desperdícios ou revisar gastos menos essenciais. Os excessos em viagens por exemplo, precisam ser revistos. O festival de vôos em jatinhos da FAB com apenas uma "autoridade" a bordo, são gastos desnecessários.

A operação Ágata, por exemplo, conduzida pelo Exército nas regiões de fronteira, apreendeu neste ano mais de 15 toneladas de drogas, neutralizou dezenas de dragas do garimpo ilegal e interrompeu diversas atividades criminosas. Será essa a razão do contingenciamento no Ministério da Defesa?

Traduzindo para o português bem claro: estava funcionando. Mas aí vem o corte de verba.

E o que acontece quando o Estado recua?

O crime avança.

Não existe espaço vazio em fronteira. Quando o poder público sai, alguém ocupa o lugar. E normalmente não é um escoteiro distribuindo bons conselhos.

Enquanto isso, o governo brasileiro contesta a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas feita pelos Estados Unidos. Pode haver divergências jurídicas, diplomáticas ou conceituais sobre a nomenclatura. Mas uma coisa é inegável: estamos falando de organizações criminosas cada vez mais estruturadas, armadas, perigosas e financeiramente poderosas.

E justamente nesse cenário o país decide reduzir recursos para quem está na linha de frente do combate. É como economizar no cadeado quando os ladrões já estão pulando o muro.

Defesa nacional não é luxo. Segurança de fronteira não é capricho. Presença militar em áreas estratégicas não é gasto supérfluo.

Tudo isso é investimento na soberania do país.

O mais preocupante é perceber que a lógica parece se repetir. Sempre que surge a necessidade de apertar o cinto, áreas essenciais acabam entrando na mira primeiro.

E depois todo mundo se espanta quando faltam médicos, faltam professores, faltam pesquisadores ou faltam operações de combate ao crime.

Não existe milagre administrativo.

Quando se corta continuamente em setores estratégicos, o resultado aparece cedo ou tarde.

E a conta, como sempre, acaba chegando para a população. Porque o tráfico não tira férias. O contrabando não entra em recesso. O crime organizado não respeita contingenciamento.

Mas, pelo visto, o orçamento da defesa precisa respeitar.

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