
Seis formações naturais do Ceará passarão a ser oficialmente reconhecidas como montanhas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mudança faz parte do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevos, estudo desenvolvido desde 2019 para atualizar e modernizar a classificação das paisagens brasileiras. Entre as áreas que receberão o novo status estão as serras da Meruoca, Uruburetama, Serra das Matas, além dos maciços de Baturité, Pereiro e Central.
De acordo com os pesquisadores, a reclassificação considera critérios técnicos como a diferença de altitude entre a base e o topo do relevo, além das características do terreno. Para serem consideradas montanhas, as formações precisam apresentar pelo menos 300 metros de amplitude altimétrica e possuir picos, encostas íngremes e relevância espacial. O estudo contou com a participação de especialistas do IBGE, do Serviço Geológico do Brasil e de universidades federais.
A nova classificação também terá impacto direto na educação. Com a publicação oficial do mapa da geodiversidade brasileira, prevista para este ano, o conceito de montanhas passará a integrar os materiais didáticos e os estudos de geografia. Especialistas acreditam que o reconhecimento estimulará pesquisas sobre clima, biodiversidade, ocupação humana e características ambientais dessas regiões.
Além do aspecto acadêmico, a mudança poderá fortalecer debates sobre preservação ambiental. Embora a nova classificação não crie proteção automática para essas áreas, ela pode servir de base para futuras legislações voltadas à conservação de ambientes montanhosos. Com seis formações reconhecidas, o Ceará passará a ocupar posição de destaque nacional e será apontado como o estado mais montanhoso do Nordeste segundo os novos critérios adotados pelo IBGE.
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