
O presidente Lula da Silva, que já foi o grande símbolo do Partido dos Trabalhadores, hoje se mostra distante das campanhas de seus aliados nas eleições municipais de 2024. O abandono não é surpresa, mas revela uma estratégia preocupante: por que o líder máximo do PT, que tanto se gaba dos resultados de sua gestão, foge dos palanques de seus candidatos? Lula parece estar evitando atrelar seu nome a campanhas fracassadas, especialmente após o histórico desastroso de 2020, quando o PT não venceu em nenhuma capital.
Enquanto isso, os candidatos petistas enfrentam dificuldades, sem o apoio do presidente, e acabam migrando para outras alianças em busca de sobrevivência política. Em Belo Horizonte, Reginaldo Lopes, do PT, já articula com o PSD. Em João Pessoa, o PT tenta aliança com o PP, de Cícero Lucena. E a grande aposta do partido em São Paulo, com Guilherme Boulos, é a única movimentação de Lula até o momento.
No Piauí, os marqueteiros do candidato Fábio Novo fazem malabarismos com fotografias e vídeos dele ao lado Lula e de outras lideranças partidárias, pedindo votos na tentiva de emplacar o petista no Palácio da Cidade. A campanha do candidato não apresentou até o momento um desculpa, mesmo que esfarrapada, para a ausência de Lula no Piauí. Por essas bandas do Nordeste brasileiro o eleitor gosta mesmo é de "missa de corpo presente", ou seja, se o presidente apoia Novo, teria que vir pessoalmente pedir o voto do teresinense.
A ausência de Lula não só fragiliza a campanha de seus aliados, como também expõe a fragilidade do partido em manter sua relevância nas capitais brasileiras. A pergunta que ecoa é: se o PT se vangloria tanto de suas gestões em Brasília e nos Estados, por que é incapaz de conquistar as prefeituras das principais cidades? Lula, ao que parece, prefere ficar longe das derrotas iminentes para preservar sua imagem, mesmo que isso signifique deixar seu partido à deriva.
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