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Editorial GERAÇÃO DE EMPREGOS

Enquanto o Nordeste patina, Ceará acelera e expõe letargia econômica de estados vizinhos

Com geração recorde de empregos formais e expansão industrial, Ceará amplia distância econômica para estados como Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco

20/05/2026 às 15h30
Por: Douglas Ferreira
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Ceará dispara na geração de empregos - Foto: Reprodução
Ceará dispara na geração de empregos - Foto: Reprodução

No Nordeste, o Ceará começa a parecer aquele vizinho que saiu cedo para trabalhar, ampliou a casa, comprou carro novo e abriu negócio próprio enquanto os outros ainda discutem por que a vida não anda.

Os números do emprego formal mostram exatamente isso.

Enquanto boa parte da região continua presa numa economia lenta, burocrática e excessivamente dependente do poder público, o Ceará avança como uma locomotiva regional cada vez mais difícil de ignorar.

Desde 2023, o Estado criou mais de 168 mil empregos formais e chegou à marca histórica de 1,46 milhão de trabalhadores com carteira assinada.

Só em março de 2026 foram abertas mais de 6,6 mil vagas formais.

Não é pouca coisa.

Principalmente quando se observa o cenário de vizinhos nordestinos que seguem há décadas presos numa espécie de anestesia econômica permanente.

O Piauí talvez seja o exemplo mais emblemático dessa estagnação. Apenas 56.646 empregos formais gerados no Piauí entre janeiro de 2023 e novembro de 2025, segundo o Novo Caged do Ministério do Trabalho. Isso representa pouco mais de um terço do número de empregos gerados no Ceará.

O Estado atravessa mais de duas décadas convivendo com crescimento tímido, baixa industrialização, excesso de dependência estatal e um ambiente econômico que frequentemente sufoca quem produz, empreende ou tenta investir.

Empresários piauienses costumam repetir quase como mantra uma reclamação antiga: falta ambiente para crescer.

E ambiente econômico não nasce apenas de discurso político bonito ou propaganda institucional.

Ele depende de segurança jurídica, infraestrutura, redução da burocracia, qualificação de mão de obra, crédito acessível, logística eficiente e principalmente confiança para investir.

O Ceará conseguiu avançar justamente nessa combinação.

O setor de serviços virou motor de crescimento. A indústria ganhou musculatura. O comércio expandiu. E cidades como Fortaleza, Juazeiro do Norte e Maracanaú passaram a funcionar como polos de dinamismo econômico regional.

Maracanaú, por exemplo, abriga um dos maiores distritos industriais do Nordeste.

Enquanto isso, muitos estados vizinhos seguem presos a economias excessivamente dependentes de folha salarial pública, repasses federais e consumo sustentado artificialmente pelo setor estatal.

É como comparar um motor turbo moderno com um carro antigo funcionando no empurrão.

O problema é que essa diferença começa a produzir consequências sociais importantes.

Onde existe emprego formal, existe circulação de renda, abertura de empresas, aumento de arrecadação e fortalecimento do consumo.

Onde não existe, cresce a dependência do Estado.

No caso do Piauí, a sensação de letargia econômica incomoda especialmente quem tenta empreender.

A carga tributária elevada, a lentidão burocrática, a baixa atração industrial e a ausência de uma política agressiva de desenvolvimento acabam afastando investimentos.

Muitos empresários relatam que crescer no estado parece correr carregando peso nas costas.

Enquanto isso, o Ceará se movimenta para atrair empresas, ampliar infraestrutura e facilitar a conexão entre trabalhadores e mercado por meio de plataformas digitais e programas estaduais de empregabilidade.

Existe também um fator político importante.

O Ceará há anos trata desenvolvimento econômico como política de Estado.

Já em muitos estados nordestinos, incluindo o Piauí, ainda predomina uma lógica excessivamente eleitoral na condução econômica, onde projetos estruturantes frequentemente ficam subordinados à disputa política de curto prazo.

O resultado aparece nos números.

O Ceará cresce.

Outros Estados apenas sobrevivem economicamente.

E quanto mais o tempo passa, maior fica a distância entre quem decidiu acelerar e quem continua parado olhando o retrovisor.

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