
A história política do Piauí é marcada por ciclos de messianismo e promessas de modernização. No entanto, ao comparar dois personagens centrais de eras distintas - Alberto Silva e Rafael Fonteles - percebe-se que, embora o discurso do "Piauí Grande" seja recorrente, os métodos e, principalmente, os resultados colocam-nos em polos opostos. Enquanto um construiu o alicerce físico do estado sem comprometer o futuro, o outro parece hipotecar o amanhã em troca de um projeto de poder absoluto.
O legado palpável de Alberto Silva
Na década de 1970, o Piauí era pouco mais que uma "fazenda sem cercas". Sob o comando de Alberto Silva (1971-1975), o estado experimentou um salto civilizatório financiado não pelo endividamento temerário, mas por uma articulação técnica e política magistral junto à União, capitaneada pelo também piauiense e então Ministro, João Paulo dos Reis Veloso. Naquela gestão, o "visionário" Alberto Silva entregou o que era palpável:
Energia e Integração: Substituiu os motores a diesel das "velhas usinas" por energia contínua 24 horas por dia, tanto na capital quanto no interior. Promoveu a integração rodoviária através de um programa robusto de pavimentação, ligando Teresina ao litoral e abrindo a artéria até Cristalândia, conectando o Piauí ao Centro-Oeste e à capital federal.
Infraestrutura Urbana: Deixou obras icônicas como o Estádio Albertão, a Maternidade Evangelina Rosa, a modernização da Avenida Frei Serafim, a ampliação do Hospital Getúlio Vargas (HGV) e a instalação da Universidade Federal do Piauí (UFPI). O dado crucial que separa Alberto do cenário atual é a origem dos recursos. A infraestrutura daquela época foi erguida com recursos a fundo perdido e dotações orçamentárias diretas. Alberto Silva não asfixiou o Tesouro Estadual; ele o expandiu.
Rafael Fonteles: O "gênio dos empréstimos"
Já o Governador Rafael Fonteles, tido como o gênio da matemática, homem inteligente e igualmente visionário por um Piauí grande, cai na vala comum dos governantes sem realizações e sem legado, exceto como o "Gênio dos Empréstimos" e das miragens.
Cortemos o tempo para 2022
Rafael Fonteles ascende ao Palácio de Karnak com a aura de prodígio da matemática e a promessa de ser o "Alberto Silva do século XXI". Três anos depois, a matemática de Fonteles parece fechar apenas para o seu grupo político, enquanto as contas públicas entram em rota de colisão. Diferente de Alberto, cuja obra é visível em cada quilômetro de asfalto antigo, a gestão de Fonteles é marcada por uma "indústria de empréstimos". Estima-se que o volume de operações de crédito já ultrapasse a barreira dos R$ 15 bilhões.
O que o piauiense questiona hoje, com razão, é: onde está o resultado prático desse endividamento? O governador entregou o quê? Qual obra ficará na história eterna de sua passagem pelo Karnak?
Conceitos abstratos e miragens
Enquanto o estado se compromete com juros e amortizações por décadas, o governo se especializou em vender conceitos abstratos:
Hidrogênio Verde: Anunciado como o maior projeto de energia limpa do mundo, mas que, na prática, não gerou empregos de massa ou impacto real no PIB local.
Para exercitar a inteligência: para atender às necessidades de produção divulgadas, seria necessária uma usina com a capacidade de uma e meia "Itaipu Binacional".
Porto de Luís Correia: Uma promessa decenária que segue como uma miragem de inaugurações parciais e utilidade duvidosa, sem estudos de viabilidade sérios.
Diplomacia de Fachada: No início do mandato, o governador percorreu o planeta com uma tropa de assessores, abrindo embaixadas e escritórios no exterior que, na prática, apenas drenaram recursos públicos (provenientes de empréstimos?), enquanto a segurança e a saúde nos grotões do estado clamam por socorro.
A estratégia da manutenção do poder
A crítica mais severa que recai sobre Fonteles e que o distancia definitivamente de Alberto Silva é a finalidade de suas ações. Se seu antecessor e patrono, Wellington Dias, consolidou o poder através da cooptação de lideranças com pequenas obras pontuais, Rafael parece ter elevado o jogo ao cubo.
A política atual possui um propósito único: a perpetuação desse grupo no poder, custe o que custar. O endividamento desenfreado não parece ser uma estratégia de investimento, mas uma ferramenta de manutenção de fluxo de caixa para garantir apoio político e capilaridade eleitoral. O risco é real: para manter a hegemonia política de hoje, o governo pode estar quebrando o estado de amanhã.
Conclusão: um oceano os separa
Alberto Silva foi o governador que tirou o Piauí da escuridão do motor a diesel para a luz real da eletricidade e do asfalto. Rafael Fonteles, apesar do marketing agressivo e das planilhas complexas, ainda habita o campo das ideias e das maquetes eletrônicas.
Entre a obra física deixada por Alberto e o rastro de dívidas deixado por Rafael, existe um oceano de diferença. O piauiense, que já foi esperançoso com o "gênio da matemática", começa a perceber que, na contabilidade do Karnak, a conta do projeto de poder pessoal sempre chega para o cidadão pagar. Ao contribuinte, Rafael deixa a impressão de que o "gênio" ainda não aprendeu a fazer as quatro operações básicas.
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