
A entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia começa a produzir efeitos imediatos para o café solúvel brasileiro. A partir deste mês, a tarifa de importação no bloco europeu teve uma redução inicial de 1,8%, sinalizando o início de um processo gradual que deve zerar completamente a cobrança em até cinco anos. Para o setor, a medida pode reposicionar o Brasil em um mercado estratégico que perdeu força nas últimas décadas.
Hoje, a tarifa sobre o produto está em 9% e será reduzida de forma progressiva. A expectativa da indústria é de que essa queda torne o café brasileiro mais competitivo, principalmente diante da pressão de países como o Vietnã, que já se beneficiam de acordos semelhantes com a Europa. Nos últimos anos, os vietnamitas avançaram rapidamente nas exportações após conseguirem tarifa zero, o que acendeu um alerta no setor brasileiro.
A União Europeia é atualmente o segundo maior destino do café solúvel do Brasil, com cerca de 16 mil toneladas exportadas por ano, o equivalente a 20% do total. Os Estados Unidos lideram o ranking, com 22%. Ainda assim, o desempenho europeu já foi mais forte. Há cerca de 15 anos, o volume exportado para o bloco era significativamente maior, o que mostra o espaço que o país ainda pode recuperar com as novas condições comerciais.
Além das tarifas, outro ponto sensível são as exigências ambientais. O novo regulamento europeu contra produtos associados ao desmatamento já vinha sendo tratado pelo setor brasileiro, que afirma estar preparado para atender às regras. Com sistemas de rastreabilidade e controle de origem, a avaliação é de que o país tem condições de não apenas manter espaço, mas ampliar sua presença em um dos mercados mais exigentes do mundo.
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