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Cloudflare nega colaboração para bloqueio do X no Brasil

CEO Matthew Prince afirma desconhecer apoio da empresa às autoridades, apesar de alegações da Anatel sobre ações para restabelecer a suspensão da rede social

25/09/2024 às 12h22
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
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O CEO da Cloudflare, Matthew Prince, afirmou que não tem conhecimento de qualquer colaboração direta da empresa com as autoridades brasileiras para manter o bloqueio da rede social X, antiga Twitter, no Brasil. A declaração foi dada após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciar que a suspensão da plataforma foi restabelecida com o "apoio ativo" das operadoras e da Cloudflare, devido a manobras que permitiram o retorno do X ao país, mesmo com a ordem judicial em vigor.

Durante uma entrevista ao portal *Bloomberg Technology* nesta terça-feira (24), Prince foi questionado sobre as alegações das autoridades brasileiras de que a Cloudflare teria trabalhado com o governo para impedir o funcionamento do X. O executivo negou qualquer envolvimento específico nesse sentido, afirmando: "Para ser honesto, eu não sei o que as autoridades brasileiras estão falando, porque nós não trabalhamos especificamente com eles para bloquear o X ou para mantê-lo disponível no Brasil."

A polêmica começou quando a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (ABRINT) revelou que a empresa de Elon Musk havia alterado seu endereço IP, passando a utilizar os serviços da Cloudflare. Essa mudança teria dificultado o monitoramento e a aplicação do bloqueio, que havia sido imposto por decisão judicial no fim de agosto. A Anatel, posteriormente, confirmou que contou com o apoio da Cloudflare para identificar mecanismos que assegurassem o cumprimento da determinação judicial.

Prince esclareceu que a mudança de IP foi resultado de uma transição técnica e não de uma tentativa deliberada de contornar o bloqueio. Ele comparou o processo a uma mudança de número de telefone ao trocar de operadora. Segundo o executivo, o X apenas passou a utilizar os serviços da Cloudflare, substituindo um concorrente, o que alterou o endereço IP. “Não teve nada que o X fez para dificultar [a restrição] para o Brasil. Foi simplesmente uma coincidência de termos conquistado um cliente empresarial”, concluiu.

A Anatel foi procurada para comentar o caso, mas até o momento da publicação não havia se manifestado. O X, por sua vez, pode ser liberado em breve no Brasil, já que a empresa de Elon Musk passou a cumprir as exigências judiciais, como o pagamento de multas de R$ 18 milhões e a indicação de um representante legal no país. No entanto, uma nova decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ainda é necessária para a liberação definitiva do serviço.

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