
Na planície litorânea do Piauí, o rádio e a televisão sempre tiveram um papel que vai muito além do entretenimento ou da informação. Ali, um microfone pode se transformar em tribuna. Uma câmera pode funcionar como uma espécie de praça pública eletrônica. E uma voz conhecida no rádio e na televisão costuma ganhar algo raro na política: confiança popular.
Não é por acaso que diversos comunicadores da região acabaram migrando da bancada do estúdio para a bancada da Câmara Municipal. Em Parnaíba, por exemplo, essa transição já se repetiu várias vezes. A lógica é simples: quem fala diariamente com o povo acaba se tornando, de certa forma, porta-voz das angústias e das demandas da população.
Mas há quem enxergue nesse caminho apenas o primeiro degrau de uma escada maior.
É exatamente nesse ponto que entra o nome de Hilder Monção.
Com trajetória consolidada no jornalismo e na comunicação regional, Monção decidiu ampliar o alcance de sua atuação pública. Confirmou que será candidato a deputado federal pelo Partido Social Democrático, convite feito pelo deputado estadual Georgiano Neto.
A decisão não surge do nada. Ela é fruto de um processo que vem sendo construído ao longo de anos diante dos microfones e das câmeras.
Na prática, a carreira de um comunicador popular se assemelha muito à de um pescador no litoral piauiense. Todos os dias ele lança suas redes no mar da opinião pública. Às vezes recolhe críticas, outras vezes reconhecimento. Mas, com o tempo, vai formando uma relação de proximidade com a comunidade que acompanha seu trabalho.
No caso de Hilder Monção, essa relação foi construída na cobertura cotidiana dos problemas que afetam os municípios da planície litorânea. Sua passagem pela TV Antena 10, o tornaram conhecido não só no Piauí, como de resto, no Brasil.
Estradas precárias, dificuldades na saúde pública, desafios do setor pesqueiro, gargalos do turismo e as demandas sociais de cidades que muitas vezes permanecem à margem das grandes decisões tomadas em Brasília.
Durante anos, o comunicador transformou esses temas em pauta. De certa forma, fez aquilo que muitos políticos prometem fazer depois de eleitos: dar voz às comunidades locais.
Sua trajetória profissional passa pelo rádio, televisão e jornalismo regional, sempre com forte presença no debate público. Essa atuação acabou lhe rendendo visibilidade e capital político na região.
Não por acaso, Hilder Monção chegou a ocupar a condição de suplente de deputado estadual. Uma experiência que, embora breve, lhe permitiu observar por dentro o funcionamento do poder legislativo.
Agora o desafio é maior.
Disputar uma vaga na Câmara Federal significa sair do território da política regional e entrar no grande tabuleiro nacional. É como sair de um rio conhecido para navegar em mar aberto.
Mas a base política de Monção continua sendo justamente aquilo que construiu sua trajetória: a região litorânea do Estado.
Além de Parnaíba, o comunicador possui interlocução em diversos municípios da faixa costeira e da planície litorânea, onde sua atuação na mídia ajudou a consolidar relações políticas e comunitárias.
Essa presença regional é um dos fatores que explicam o interesse do PSD em tê-lo na chapa proporcional. Em disputas para a Câmara Federal, cada partido busca nomes capazes de agregar votos em regiões específicas do Estado.
Nesse sentido, a candidatura de Hilder Monção representa algo mais que uma simples opção eleitoral. Ela simboliza uma tentativa de transformar a experiência acumulada no jornalismo regional em representação política nacional.
A pergunta que começa a circular no litoral do Piauí é direta. Depois de tantos anos relatando os problemas da região, será que chegou a hora de Hilder Monção tentar resolvê-los a partir de Brasília?
Na política, como no rádio e na TV, a credibilidade não nasce do nada. Ela se constrói ao longo do tempo, programa após programa, palavra após palavra.
E é exatamente esse patrimônio que o comunicador Hilder Monção agora pretente colocar à prova nas urnas.
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