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Política EFEITO CORRUPÇÃO

Lula lidera rejeição nacional e enfrenta desgaste recorde

Pesquisa Atlas/Arko revela que mais da metade do eleitorado rejeita o presidente e aponta corrupção como principal motivo

02/04/2026 às 09h44 Atualizada em 02/04/2026 às 09h46
Por: Douglas Ferreira
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Mais da metade do eleitorado rejeita Lula da Silva - Foto: Reprodução
Mais da metade do eleitorado rejeita Lula da Silva - Foto: Reprodução

A política brasileira vive um fenômeno curioso e ao mesmo tempo previsível. Como um fantasma que insiste em voltar aos mesmos corredores, o tema da corrupção retorna sempre que os governos do Partido dos Trabalhadores entram no centro do debate público. Foi assim nos primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, voltou com força nos governos de Dilma Rousseff e reaparece agora no terceiro mandato de Lula da Silva.

A história parece se repetir como um disco riscado. Escândalo após escândalo, fraudes, denúncias, investigações e crises políticas vão se acumulando como nuvens carregadas no horizonte de Brasília. O resultado começa a aparecer nas pesquisas de opinião.

Levantamento divulgado pelo instituto AtlasIntel em parceria com a Arko revela um dado politicamente devastador para o Palácio do Planalto. Lula aparece como o líder político mais rejeitado entre os nomes testados, com 50,6% de rejeição.

O número chama atenção por vários motivos. Primeiro porque ultrapassa metade do eleitorado. Segundo porque é mais que o dobro da rejeição do segundo colocado, o senador Flávio Bolsonaro, que registra 24%.

Na sequência aparecem Jair Bolsonaro com 16,3% e o deputado Nikolas Ferreira com 5,9%. Outros nomes testados apresentam rejeição residual, como Michelle Bolsonaro, Fernando Haddad, Tarcísio de Freitas e Geraldo Alckmin.

Mas o dado mais politicamente explosivo aparece quando o eleitor é perguntado sobre por que não votaria em Lula de jeito nenhum.

A resposta é quase um veredito coletivo.

Nada menos que 85,9% dos entrevistados apontam a corrupção como principal motivo para rejeitar o presidente.

Em outras palavras, para a maioria esmagadora dos que rejeitam Lula, o problema não é apenas político ou ideológico. É moral.

Outros motivos também aparecem, mas com peso bem menor.
45,7% afirmam que Lula quer tornar a população dependente do Estado.
33,2% acreditam que ele representa um projeto de poder autoritário.
29,9% dizem que ele não foi um bom presidente.
21% avaliam que o governo não prioriza os problemas reais do país.

Há ainda quem cite divisão política, valores religiosos, oportunismo ou falta de preocupação com o povo. Mas nenhum fator chega sequer perto da corrupção.

A pergunta que surge então é inevitável. Por que esse tema continua colado à imagem dos governos petistas como uma sombra que não desaparece?

Parte da resposta está na própria história recente do país. Os governos do PT foram atravessados por alguns dos maiores escândalos políticos já registrados no Brasil. A narrativa construída pela oposição ao longo dos anos consolidou a ideia de que corrupção e petismo caminham lado a lado. Estaria no DNA da esquerda.

Agora, no terceiro mandato de Lula, novos episódios voltam a alimentar esse discurso. Casos como suspeitas envolvendo rombo no INSS ou a fraude no Banco Master passam a ocupar espaço no debate público.

Ao mesmo tempo, o ambiente econômico contribui para aumentar o desgaste político. Juros elevados, inflação persistente e preços altos dos combustíveis afetam diretamente o cotidiano do cidadão comum. Quando o bolso aperta, a tolerância do eleitor com escândalos políticos costuma diminuir rapidamente.

Na política, percepção muitas vezes pesa tanto quanto realidade. E a percepção que parece ganhar força em parte do eleitorado é a de que corrupção continua sendo um problema estrutural nos governos petistas.

É exatamente nesse ponto que a oposição pretende concentrar sua estratégia para as eleições presidenciais de 2026. Explorar o tema da corrupção pode funcionar como uma arma eleitoral poderosa, especialmente se os indicadores econômicos não melhorarem significativamente.

A política brasileira já demonstrou várias vezes que crises de imagem podem ser decisivas em disputas eleitorais. Foi assim em 2016, quando Dilma Rousseff acabou sofrendo impeachment após uma combinação de crise econômica, desgaste político e pressão institucional.

A diferença agora é que Lula tenta construir a narrativa de que voltou ao poder para reconstruir o país. A oposição, por sua vez, trabalha para consolidar a narrativa oposta. A de que a corrupção voltou junto com o PT ao Palácio do Planalto.

Se essa disputa de narrativas se consolidar, a eleição de 2026 pode se transformar em um grande referendo sobre esse tema.

E é justamente por isso que os números da pesquisa Atlas/Arko chamam tanta atenção.

Eles indicam que, pelo menos neste momento, uma parcela significativa do eleitorado parece já ter escolhido qual narrativa considera mais convincente.

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