
O processo contra a turista argentina Agostina Páez, acusada de injúria racial em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro, entrou na fase final. Durante audiência realizada na 37ª Vara Criminal, a Justiça autorizou a entrada de um assistente de acusação no caso, que terá prazo de cinco dias para se manifestar antes da decisão. O Ministério Público do Rio de Janeiro já apresentou suas alegações finais e pediu a condenação da acusada.
Ao longo da instrução, foram ouvidas sete testemunhas, cinco indicadas pela acusação e duas pela defesa, além do interrogatório da ré. Segundo a denúncia, o caso ocorreu em janeiro, quando Agostina teria ofendido funcionários do estabelecimento com palavras e gestos racistas após discordar do valor da conta. Mesmo advertida, ela teria repetido as ofensas dentro e fora do local.
A defesa solicitou a revogação de medidas cautelares, como a retenção do passaporte, a proibição de deixar o país e o uso de tornozeleira eletrônica. Também pediu que a acusada possa responder ao processo na Argentina. No entanto, o Ministério Público se posicionou contra, argumentando que não há garantias de que eventuais reparações às vítimas seriam cumpridas caso ela deixe o Brasil.
Ainda durante a audiência, a defesa informou que Agostina pediu desculpas às vítimas, que teriam aceitado, e propôs o pagamento de um salário mínimo por ano, durante dez anos. A Justiça, porém, ainda não decidiu sobre os pedidos da defesa. A sentença deve ser divulgada nos próximos dias, em um caso que pode ganhar repercussão além do Brasil, reforçando o debate sobre combate ao racismo e responsabilidade penal.
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