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Política LIGAÇÕES PERIGOSAS

O áudio que colocou Davi Alcolumbre no centro de um escândalo político

Gravação viraliza, expõe bastidores do poder e levanta suspeitas sobre influência política no Judiciário

25/03/2026 às 05h28 Atualizada em 25/03/2026 às 08h09
Por: Douglas Ferreira
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Pedro da Lua e Alcolumbre - Foto: Reprodução
Pedro da Lua e Alcolumbre - Foto: Reprodução

Depois que o áudio começou a circular nas redes sociais e ganhou destaque no portal Metrópoles, o Brasil passou a falar praticamente de uma coisa só. No ônibus lotado, na mesa do bar, na praça da periferia, na repartição pública e até nas rodas de conversa da política nacional. O protagonista da vez é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E a pergunta que ecoa de norte a sul do país é direta e incômoda. O que exatamente aconteceu dentro daquela gravação para provocar tamanho terremoto político?

O áudio viralizou como incêndio em palha seca. Em poucas horas se espalhou pelas redes sociais, aplicativos de mensagem e grupos de discussão política. Quando uma gravação assim ganha vida própria, ela se torna mais do que uma notícia. Ela vira combustível para um debate público que ninguém consegue mais controlar.

O conteúdo da conversa revela um bastidor que normalmente fica escondido atrás das cortinas do poder. Na gravação, Alcolumbre orienta o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, a procurar um desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá para tratar de um processo envolvendo o prefeito eleito da capital, Antonio Furlan.

O detalhe que chama atenção não é apenas o encontro sugerido. É a forma como ele é descrito. O senador orienta que DaLua vá ao tribunal em um horário específico e insiste duas vezes que ele compareça sozinho. A recomendação aparece de forma direta no áudio: “Segunda, 10 horas, no gabinete dele, no tribunal, para você relatar as questões jurídicas e políticas, sem advogado.”

Em política, palavras têm peso. Às vezes pesam como chumbo. Em outras ocasiões pesam como dinamite.

A conversa sugere que o encontro já teria sido articulado previamente com o magistrado. Em determinado momento, Alcolumbre deixa clara a proximidade ao se referir ao desembargador como “meu irmão”, expressão que, no contexto da gravação, soa menos como formalidade institucional e mais como demonstração de intimidade política.

Na gravação, o senador relata como apresentou o pedido ao magistrado. Segundo ele, teria dito: “Meu irmão, preciso da sua ajuda para restabelecer a autoridade do presidente da Câmara, que é meu irmão, sempre esteve comigo, me ajudou nos momentos mais difíceis da minha história política e não pode ser subjugado.”

O problema é que quando política e Justiça aparecem na mesma frase, a sociedade costuma levantar as sobrancelhas.

Em outro trecho, o senador afirma ainda que deixou claro ao magistrado que sabe reconhecer aliados. “Eu disse a ele que faço política de grupo, de entrega, e sou grato às pessoas, reconhecendo aquelas que trabalham.”

O tom da conversa lembra um comandante orientando um movimento estratégico em um tabuleiro de xadrez. Cada peça parece ter posição definida e cada movimento parece calculado.

A reação de Pedro DaLua também chama atenção. Em determinado momento ele demonstra entusiasmo diante do relato da articulação e responde ao senador: “Tô todo arrepiado.” A frase virou quase um símbolo da gravação. Nas redes sociais, muitos passaram a repetir a expressão como se fosse a legenda perfeita para um retrato da política brasileira.

Mas o conteúdo do áudio vai além. Na conversa surge também a promessa de abrir duas CPIs contra o prefeito eleito. Em tom agressivo, o interlocutor chega a se referir ao adversário político com uma ofensa direta, chamando-o de “filho da puta” enquanto fala sobre a estratégia de confronto político.

O anúncio das investigações, segundo o próprio interlocutor, poderia ser feito no mesmo dia de um evento importante no Estado. Um gesto que, em política, funciona como fogos de artifício em noite de festa. O objetivo não é apenas iluminar o céu. É chamar atenção de todo mundo ao redor.

Quando questionado sobre essa estratégia, o senador responde de forma curta e direta, dando sinal verde para a ofensiva política. “Vai para cima.”

A frase é curta. Mas tem a força de um empurrão político.

O pano de fundo dessa disputa envolve um conflito sobre o orçamento da Câmara de Vereadores de Macapá. O prefeito eleito havia vetado um aumento que elevaria os recursos da Casa de 3,9 milhões para 5 milhões de reais. A Justiça acabou determinando o reajuste.

O caso poderia ser apenas mais uma disputa administrativa entre Executivo e Legislativo municipal. Mas o áudio sugere algo maior. Ele expõe um método político que lembra uma engrenagem funcionando nos bastidores.

Para muitos analistas, o episódio ilustra um velho dilema brasileiro. A política deveria funcionar como um relógio de precisão institucional. Cada poder com seu papel, cada autoridade dentro de seus limites. Mas frequentemente o sistema parece operar como uma feira livre onde interesses se cruzam, alianças se improvisam e influências se exercem de forma pouco transparente.

A viralização do áudio mostra também um novo fenômeno da era digital. Antigamente bastidores políticos ficavam restritos a gabinetes fechados e corredores de Brasília. Hoje um simples arquivo de áudio pode atravessar o país em minutos e transformar uma conversa privada em um julgamento público.

O senador ainda não comentou detalhadamente o conteúdo da gravação. Mas o episódio já colocou seu nome novamente no centro de uma tempestade política.

No Brasil, escândalos políticos costumam surgir como ondas no mar. Alguns quebram rápido e desaparecem. Outros crescem até virar ressaca institucional.

A pergunta agora é simples. O áudio que viralizou será apenas mais uma marola na política brasileira ou o início de uma nova onda capaz de atingir o coração do poder em Brasília?

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Francisco MendesHá 4 meses ItatiaiaSe tivessem mantido o Amapá e Roraima, como territórios, com certeza, não teríamos esses politicos com tanto poder.
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