
Palavras-chave: Dogim Félix, Ciro Nogueira, Marcelo Castro, MDB, política do Piauí, Senado, Rafael Fonteles, alianças políticas
A política costuma ser comparada a um tabuleiro de xadrez. Peças se movem, alianças se formam e estratégias mudam conforme o jogo avança. Mas existe uma regra que, muitas vezes, fala mais alto do que qualquer cálculo eleitoral. Gratidão.
Foi exatamente esse princípio que apareceu de forma explícita durante a filiação do deputado estadual Dogim Félix ao Movimento Democrático Brasileiro. Mesmo ingressando em um partido que integra a base do governador Rafael Fonteles, o parlamentar fez questão de reafirmar publicamente que manterá seu apoio à reeleição do senador Ciro Nogueira para o Senado Federal.
A declaração foi direta e sem rodeios. Questionado pela imprensa se seu voto poderia ser direcionado ao senador Marcelo Castro, presidente do MDB no Piauí e aliado do Palácio de Karnak, Dogim respondeu de forma categórica. “Meu primeiro voto é para o senador Ciro Nogueira.”
A frase tem um peso político que vai além das palavras. Em tempos de alinhamentos automáticos e fidelidades partidárias cada vez mais frágeis, a posição do deputado revela uma lógica antiga da política brasileira. Quem ajuda a construir uma trajetória dificilmente é descartado no momento decisivo.
É como no futebol. O treinador pode trocar o esquema tático, mudar jogadores e até reformular o elenco inteiro. Mas há atletas que permanecem no time titular porque fizeram a diferença quando o jogo estava difícil.
No caso de Dogim Félix, o argumento é simples e foi reiterado pelo próprio parlamentar. O compromisso com Ciro Nogueira não nasceu agora e não seria abandonado no meio da caminhada política. Segundo ele, essa posição foi comunicada ao próprio governador desde o início das conversas.
“Quando estivemos com o governador no primeiro momento, nós dissemos que o nosso voto permaneceria no senador Ciro Nogueira e não abríamos mão”, afirmou.
A declaração também serve para revelar outra faceta da política contemporânea. Alinhamento de governo não significa necessariamente alinhamento eleitoral em todas as disputas. Prefeitos, deputados e lideranças regionais frequentemente fazem distinções entre apoio administrativo e apoio eleitoral.
Na prática, é como navegar em dois rios ao mesmo tempo. De um lado, a necessidade de manter uma boa relação institucional com o governo estadual. Do outro, a obrigação política de reconhecer quem ajudou a construir bases eleitorais no passado.
Dogim fez questão de enfatizar que sua posição não provoca qualquer tipo de conflito dentro da base governista. Segundo ele, a situação está pacificada e compreendida entre as lideranças.
“Tudo tranquilo em relação a isso”, resumiu.
A postura do deputado expõe um fenômeno que se repete em várias regiões do país. Muitos prefeitos e parlamentares alinhados a governos estaduais ou federais continuam declarando apoio a senadores ou candidatos de campos políticos diferentes. Não por rebeldia ideológica, mas por pragmatismo político e reconhecimento de serviços prestados.
No fim das contas, a política continua sendo uma mistura curiosa de cálculo e memória. Cálculo para entender onde está o poder. Memória para lembrar quem ajudou a chegar até ele.
Dogim Félix parece ter escolhido caminhar equilibrando essas duas forças. Como um equilibrista atravessando a corda bamba da política, mantendo um pé no presente do poder e outro na gratidão do passado.
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