
O governo federal intensificou articulações para conter os impactos de uma possível delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central no caso do Banco Master. Nos bastidores, a preocupação é evitar que o episódio ganhe força e amplie o desgaste político, especialmente em meio à exploração do tema pela oposição. Apesar de aliados afirmarem que as investigações só avançaram por iniciativa da atual gestão, há o reconhecimento de que o caso reforça o debate sobre corrupção.
Um dos principais pontos de atenção envolve ligações políticas com o banco. Setores do PT, principalmente na Bahia, tiveram proximidade com o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro. Esse vínculo atinge nomes relevantes do governo, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Nos bastidores, também se cogita a possibilidade de Guga Lima aderir a um acordo de colaboração, o que aumentaria ainda mais a pressão.
Para reagir, o governo passou a estruturar uma estratégia de comunicação com o objetivo de transferir o foco da crise. Entre as ações, está a tentativa de associar o caso à gestão anterior, utilizando termos como “Bolsomaster” em discursos e redes sociais. A linha adotada por aliados, incluindo o ministro Guilherme Boulos, busca destacar que o crescimento do banco ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro e sob a supervisão do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Do outro lado, a oposição tem utilizado o caso como munição política. O senador Flávio Bolsonaro defende a investigação de integrantes do atual governo e cita diretamente a relação de Guga Lima com o PT. Também há questionamentos sobre um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Daniel Vorcaro, realizado fora da agenda oficial em 2024. Com trocas de acusações e disputa de narrativas, o caso do Banco Master amplia a tensão política em Brasília e pode ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas.
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