
Motoristas de Teresina já começaram a sentir no bolso os efeitos da guerra no Oriente Médio. Em poucos dias, o preço da gasolina saltou de cerca de R$ 5,60 para valores entre R$ 6,19 e R$ 6,59 nos postos da capital. A escalada está ligada à tensão envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que elevou o preço internacional do petróleo e provocou instabilidade no mercado global de energia, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quarto do petróleo transportado no mundo.
O impacto externo é real e inevitável. Com o barril ultrapassando novamente os US$ 100 (hoje, 11 de março operando a $90) especialistas já alertam que a gasolina poderia subir ainda mais no Brasil caso os preços acompanhem integralmente o mercado internacional. O país ainda depende da importação de parte do diesel que consome, o que aumenta a vulnerabilidade diante de crises geopolíticas. O resultado costuma aparecer rapidamente na bomba e, logo depois, na inflação.
Mas a crise internacional expõe também uma diferença clara de postura política. Em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro, frequentemente chamado por adversários de “malvadão” e “golpista”, a reação foi imediata. O governo federal zerou os tributos federais sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, eliminando cobranças como PIS, Cofins e Cide. Além disso, articulou no Congresso a limitação do ICMS, o imposto estadual que mais pesa no preço final dos combustíveis.
Naquele momento, Bolsonaro chegou a propor inclusive que o ICMS fosse zerado, com compensação financeira da União aos estados para evitar perda de arrecadação. A iniciativa também buscava pressionar governadores a reduzir a carga tributária sobre combustíveis, que em alguns estados chegava a mais de 30%. O objetivo era claro: diminuir o impacto imediato no bolso do consumidor.
Hoje, com o aumento internacional novamente pressionando os preços, o que se vê é uma postura bem diferente. Tanto o governo federal do presidente Lula quanto o governo estadual do Piauí, comandado por Rafael Fonteles, ambos do PT, assistem à escalada sem apresentar medidas emergenciais relevantes de alívio tributário.
Enquanto isso, o contribuinte continua pagando a conta completa. O preço internacional sobe, o dólar pressiona, e os impostos permanecem intocados. No fim das contas, a bomba do posto segue sendo um dos lugares mais eficientes para lembrar ao brasileiro que, em tempos de crise, o peso do Estado raramente diminui.
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