
Motoristas de Teresina já começaram a sentir no bolso os efeitos da guerra no Oriente Médio. Em menos de uma semana, o preço da gasolina nos postos da capital passou de uma média entre R$ 5,59 e R$ 5,70 para valores que chegam a R$ 6,19 e R$ 6,59 por litro, refletindo a alta do petróleo e do dólar no mercado internacional.
A escalada dos preços está diretamente ligada ao conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que provocou forte instabilidade no mercado global de energia. Um dos principais fatores foi o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica por onde passa cerca de 20% a 25% de todo o petróleo transportado no mundo. A interrupção do tráfego de petroleiros e a redução da produção em países do Oriente Médio fizeram o barril do petróleo ultrapassar novamente a marca de US$ 100, algo que não ocorria desde a guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022.
No Brasil, o impacto pode ser ainda maior nos próximos dias. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicam que os preços praticados nas refinarias brasileiras estão defasados em relação ao mercado internacional. Segundo a entidade, a gasolina poderia subir até R$ 1,22 por litro, enquanto o diesel teria espaço para aumento de até R$ 2,74, caso os valores acompanhem totalmente o cenário externo.
Além da pressão sobre os preços, especialistas alertam para o risco de redução na oferta de combustíveis. O Brasil ainda depende da importação para suprir parte da demanda, especialmente de diesel, que representa cerca de 25% do combustível consumido no país. Com a instabilidade internacional e a suspensão de algumas compras externas, o mercado passa a monitorar estoques e possíveis impactos na inflação e no abastecimento nas próximas semanas.
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