
A primeira pesquisa nacional divulgada em 2026 pelo Datafolha revela um cenário político mais equilibrado do que aquele observado ao longo de 2024 e 2025. O levantamento aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que aparece com 43%.
A diferença de três pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o que configura empate técnico.
Mais do que o número absoluto, o dado que chama atenção é a trajetória recente das pesquisas. Em dezembro do ano passado, Lula aparecia com 51% contra 36% de Flávio Bolsonaro. Em julho de 2025 o placar era de 48% para Lula e 37% para o senador.
A nova rodada da pesquisa mostra uma mudança relevante na dinâmica da disputa.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março e foi registrado na Justiça Eleitoral.
Nos cenários de primeiro turno o presidente mantém a liderança, mas com vantagem menor.
No cenário considerado mais provável, os números são os seguintes:
Lula 38%
Flávio Bolsonaro 32%
Ratinho Júnior 7%
Romeu Zema 4%
Renan Santos 3%
Aldo Rebelo 2%
Brancos, nulos ou nenhum somam 11% e 3% afirmam não saber em quem votar.
Quando outros nomes são testados, como Eduardo Leite ou Ronaldo Caiado, Lula oscila entre 38% e 39% enquanto Flávio Bolsonaro aparece entre 32% e 34%.
O cenário mostra que, apesar de ainda liderar, o presidente não apresenta crescimento significativo.
Um dos números mais sensíveis da pesquisa aparece em um cenário hipotético sem Lula.
Quando o candidato do PT é o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o resultado muda radicalmente.
Flávio Bolsonaro aparece com 33% enquanto Haddad registra apenas 21%.
Esse resultado revela o peso eleitoral ainda concentrado na figura de Lula dentro do Partido dos Trabalhadores.
A pesquisa não mede diretamente as razões do crescimento do senador, mas algumas hipóteses aparecem de forma recorrente entre analistas políticos.
A primeira delas é a reorganização do eleitorado conservador. Após as turbulências políticas que se seguiram ao governo de Jair Bolsonaro, parte desse eleitorado parece estar se consolidando novamente em torno de um nome com forte identidade ideológica.
Flávio Bolsonaro carrega o sobrenome mais conhecido desse campo político e pode estar se beneficiando da transferência natural desse capital eleitoral.
Outro fator relevante é o desgaste típico de governos em exercício. Presidentes tendem a enfrentar perda gradual de apoio à medida que o mandato avança, especialmente em contextos econômicos desafiadores.
Os números também sugerem uma dificuldade de expansão da base eleitoral do presidente.
Desde meados de 2025, Lula oscila dentro de uma faixa relativamente estável. Não há crescimento expressivo, mas também não se observa um colapso de popularidade.
O que ocorre é uma redução da vantagem sobre o principal adversário.
Essa dinâmica costuma acontecer quando parte do eleitorado que votou no governo passa a demonstrar frustração com expectativas não atendidas, sem necessariamente migrar imediatamente para outro candidato.
A pergunta central é se o desempenho de Flávio Bolsonaro representa uma tendência ou apenas um movimento momentâneo.
Pesquisas isoladas raramente definem cenários eleitorais de longo prazo. No entanto, quando vários levantamentos consecutivos mostram aproximação entre candidatos, os analistas passam a observar com mais atenção.
O que a pesquisa atual indica é um dado politicamente relevante.
A eleição de 2026 começa a desenhar um ambiente mais competitivo do que aquele previsto há alguns meses.
Apesar da aproximação, o presidente ainda aparece vencendo todos os adversários testados no segundo turno.
Contra Ratinho Júnior o placar é de 45% a 41%.
Contra Eduardo Leite a vantagem sobe para 46% a 34%.
Contra Ronaldo Caiado o resultado é de 46% a 36%.
Esses números indicam que Lula ainda possui uma base eleitoral sólida, mas também revelam que o campo adversário começa a reduzir distâncias.
A eleição presidencial ainda está distante. Mas a nova fotografia capturada pelo Datafolha sugere que a disputa de 2026 pode ser muito menos previsível do que se imaginava até pouco tempo atrás.
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