
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso nesta quinta-feira (19), no Reino Unido, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público relacionada a seus vínculos com o financista americano Jeffrey Epstein. A informação foi confirmada pelas autoridades britânicas e pelo Palácio de Buckingham. Andrew, que completa 66 anos, foi detido em Norfolk, onde reside atualmente. A polícia realiza buscas em propriedades ligadas a ele nas regiões de Berkshire e Norfolk.
Em nota oficial, o rei Charles III afirmou ter recebido a notícia “com profunda preocupação” e declarou que “a lei deve seguir seu curso”, garantindo apoio e cooperação às autoridades. A prisão ocorre após a divulgação de novos documentos nos Estados Unidos, que reacenderam suspeitas sobre a relação de Andrew com Epstein. A polícia britânica avalia denúncias de que o ex-duque de York teria compartilhado informações confidenciais com o empresário.
A nova leva de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA inclui imagens e trocas de e-mails que voltaram a colocar Andrew no centro do escândalo. Entre os documentos, há registros de conversas de 2010 nas quais Epstein menciona encontros e apresentações a mulheres jovens. Também constam fotos em que Andrew aparece em situações controversas. As autoridades americanas já haviam solicitado formalmente sua colaboração em investigações anteriores.
O relacionamento entre Andrew e Epstein vem sendo alvo de escrutínio há anos. O ex-príncipe perdeu títulos reais e se afastou de funções oficiais após acusações feitas por Virginia Giuffre, que o processou por abuso sexual quando tinha 17 anos. Andrew negou reiteradamente qualquer irregularidade e firmou acordo financeiro em 2022 para encerrar a ação. A prisão marca um momento histórico e delicado para a monarquia britânica, a primeira detenção de um membro direto da família real desde o século XVII.
O episódio reacende um debate inevitável sobre responsabilidade institucional. Em um regime monárquico, um integrante da família real pode ser investigado, detido e submetido ao crivo das autoridades quando há suspeitas graves. No Brasil, embora sejamos uma República, o sistema de freios e contrapesos enfrenta críticas recorrentes, especialmente em relação ao Judiciário. Nunca houve impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal, apesar de previsões constitucionais para tal mecanismo, e é frequente a contestação pública sobre situações em que ministros que são suspeitos de crimes eles acabam atuando simultaneamente como relatores, investigadores e julgadores dos próprios casos em que são suspeitos. Esse acúmulo de funções e falta de bom senso, força limites institucionais, transparência e imparcialidade, levantando questionamentos dentro e fora do país sobre a efetividade dos mecanismos de controle e responsabilização no topo do poder.
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