
Ao optar pelo corporativismo e tentar proteger o enrolado colega, os ministros do STF desprotegeram o tribunal mais uma vez.
Rodolfo Borges – O Antagonista/Crusoé
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) optaram pelo corporativismo ao lidar com o problema Dias Toffoli (foto), como definiu a capa da edição desta semana de Crusoé. Protegeram-se junto com o colega e desprotegeram o tribunal.
As notícias sobre a troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro ajudam a entender o comportamento dos dez juízes que atualmente compõem o STF.
O escândalo do Banco Master está longe de acabar, e a perda da relatoria por Toffoli é um sinal eloquente de que o Supremo nunca enfrentou um caso tão radioativo — a Operação Lava Jato soa como brincadeira de criança hoje.
Clique, acesse e leia em https://oantagonista.com.br/analise/crusoe-tao-suspeitos-quanto-toffoli/
Apesar de Toffoli ter deixado a relatoria do caso, seus colegas disseram — numa evidente barganha — reconhecer “a plena validade dos atos praticados pelo ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”.
Tudo muito estranho
Os “atos praticados pelo ministro Dias Toffoli” envolveram a determinação de uma inédita acareação entre investigador e investigado — que acabou não ocorrendo, por decisão da Polícia Federal, e somente após pressão popular —, a imposição de sigilo total e, no último de seus atos, no mínimo controversos, a determinação de que provas coletadas sobre sua relação com Vorcaro lhe fossem encaminhadas após os investigadores as apresentarem a Edson Fachin, presidente do STF.
Está claro que os ministros não quiseram constranger o colega, mas o constrangimento já está posto.
Ao fingirem que não existem motivos para suspeição ou impedimento em um caso com tantas decisões questionáveis e uma relação tão evidente entre o relator e o principal investigado, os dez ministros do STF tornam-se tão suspeitos quanto Toffoli para tratar de um caso que permanece no tribunal, agora sob a relatoria de André Mendonça.
Ainda é pouco
Na prática, Toffoli acabou punido com a perda da relatoria, e talvez da forma mais…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino
ESTADO DE DIREITO Quando a balança parece pender para um só lado
ELEIÇÕES 2026 Bolsonaro pede união da direita e lança carta em apoio à pré-candidatura de Flávio Mín. 20° Máx. 38°