
A decisão do deputado estadual Wilson Brandão, (Progressistas), de declarar apoio à reeleição do senador Ciro Nogueira está longe de ser um fato isolado. Pelo contrário, é mais um sinal visível de um movimento silencioso, porém consistente, que atravessa partidos, ignora discursos ideológicos rígidos e expõe uma característica muito própria da política brasileira, especialmente no Nordeste: o pragmatismo vence o dogma.
Wilson Brandão, decano da Assembleia Legislativa do Piauí, não é um parlamentar qualquer. É um político experiente, de posições firmes, que não se esconde atrás de ambiguidades. Ao mesmo tempo em que anuncia apoio à reeleição do governador Rafael Fonteles (PT), reafirma, sem rodeios, seu alinhamento com Ciro Nogueira (Progressistas) para o Senado. A mensagem é clara: no Piauí, alianças não seguem cartilhas ideológicas, seguem resultados.
Essa escolha reflete uma tendência mais ampla. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais e lideranças locais, inclusive do PT, têm declarado apoio público a Ciro Nogueira, mesmo diante do desconforto das cúpulas partidárias. Uma dúzia de prefeitos já rompeu, na prática, com a orientação oficial de seus partidos para apostar no senador oposicionista. Não por afinidade ideológica, mas por entregas concretas.
Ciro Nogueira construiu sua trajetória política como municipalista raiz. Frequenta bases, mantém presença constante no interior e, sobretudo, entrega emendas, obras e articulação política. É aí que entra a máxima atribuída a Otto von Bismarck: a política é a arte do possível. No caso de Ciro, o possível não é retórico, é mensurável. Tem endereço, placa inaugurada e gratidão política.
O caso de Pedro II ilustra bem esse cenário. O apoio de Wilson Brandão segue a orientação de seu grupo político local, liderado pela prefeita Betinha Brandão (MDB). O acordo mantém a dobradinha com Ciro Nogueira e Marcelo Castro para o Senado, preservando uma composição eleitoral já testada e aprovada nas urnas. Trata-se de continuidade, não de improviso.
Esse tipo de arranjo revela uma contradição apenas aparente. Em um país marcado pela polarização entre direita, esquerda e centro, é justamente o período eleitoral que mais une do que divide. No Nordeste, isso se manifesta com ainda mais clareza. No Piauí, então, vira quase regra. Prefeitos petistas apoiam senador da oposição sem constrangimento. Deputados governistas fecham alianças cruzadas. E o eleitor, acostumado a essa dinâmica, entende o jogo.
Ciro Nogueira tem sabido explorar esse terreno como poucos. Atrai aliados do governo, dialoga com petistas, mantém pontes abertas e transforma pragmatismo em capital político. Não se trata de infalibilidade, mas de leitura correta do ambiente. O pragmatismo político, afinal, é uma via de mão dupla, pavimentada por reconhecimento, presença e gratidão.
Wilson Brandão apenas verbalizou o que muitos já praticam nos bastidores. Ao fazer isso publicamente, expõe uma verdade incômoda para os puristas da ideologia: na política real, quem entrega, soma; quem só discursa, isola.
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