
Apesar de os incêndios devastarem anualmente áreas críticas como o Pantanal e a Amazônia, causando perdas significativas de fauna e flora, o tema não parece ser prioridade para a classe política brasileira. As emendas parlamentares voltadas para a prevenção e combate a incêndios florestais representam menos de 1% do orçamento federal, evidenciando o descaso em relação a esse problema recorrente, que já faz parte do 'calendário' do país.
O cenário é preocupante: em 2024, dos R$ 49,17 bilhões destinados às emendas parlamentares, apenas R$ 10,75 milhões foram alocados para ações de combate a incêndios florestais. Essa quantia ínfima se reflete na ausência de medidas preventivas robustas e no apoio insuficiente a Estados e municípios, que enfrentam sozinhos as consequências dessa tragédia anual. O apoio do governo federal, por meio da Defesa Civil, é escasso, limitando as ações de combate e prevenção.
Nos últimos meses, o Brasil tem enfrentado uma 'pandemia de queimadas', com 8.865 focos de incêndio detectados em apenas 48 horas. O impacto ambiental é alarmante: entre janeiro e agosto de 2024, 11,39 milhões de hectares foram queimados, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Só no Estado de São Paulo, onde o fogo consumiu reservas ambientais, matas, plantações e lavouras o prejuízo estimado pelo agro beira quase R$ 2 bilhões. Mesmo com esse cenário, a falta de investimento preventivo, aliada à inércia política, agrava a situação.
Enquanto os políticos demonstram pouco interesse no enfrentamento das queimadas, o Brasil continua sofrendo com as consequências, e as altas temperaturas, combinadas à falta de fiscalização e prevenção, alimentam o ciclo de destruição.






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